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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Paróquia: centro de evangelização!


Continuando nossa reflexão sobre as paróquias e sua renovação, vou utilizar a experiência dos chamados Discípulos de Emaús (Lc. 24,13-35), e parte da reflexão do Pe. Anísio Baldessin, no livro "Como fazer PASTORAL DA SAÚDE?" (Ed. Loyola, 2ª Edição, 2002 - SP).

A contribuição que o Pe. Baldessin deixou para a Pastoral da Saúde serve para qualquer pastoral, pois parte do pressuposto de que a Igreja "existe para evangelizar", e que a "finalidade da evangelização é provocar no homem uma mudança interior"

A Igreja está inserida nas mais diversas realidades da vida humana, sejam elas materiais ou espirituais. Vida. Morte, Saúde. Doença. Alegria. Tristeza. Esperança. Fé. Portanto, ela se adapta às realidades humanas para que "todos tenham vida, e vida em plenitude". Jesus anuncia o Reino de Deus, esta é novidade que "está no meio de nós". O Senhor se faz presente em nossas vidas. O Reino é a possibilidade de retorno à graça perdida com o pecado original (em outra oportunidade falaremos sobre isso). Aceitar com liberdade interior o Reino que vem ao nosso encontro. O Reino não é imposto. Ele é proposto (por mais que a vontade de Deus seja a salvação de todos, ele não impõem, mas propõem). Por isso, Jesus não força ninguém à conversão. Toda nossa ação pastoral deve se adequar à situação daquele que vai ser evangelizado. Partir de seu mundo. De sua realidade.

Abrindo um parênteses para uma breve digressão: (Neste ponto lembro-me bem dos Exercícios de Santo Inácio de Loyola, quando nos diz que os exercícios não nos devem levar a uma mudança de estado de vida, mas sim a sua reforma. Isto é, aqueles que já são casados, assim continuem de uma forma nova. Aqueles que já são consagrados, que sim se mantenham, com novo entusiasmo. O encontro com Jesus não muda a situação civil. Ele nos faz pessoas novas: "Eis que faço nova todas as coisas" (Ap. 21,5). Ele não extingue o que existe. Mas transforma. Transforma o interior. E aí, sim, "novo céu e nova terra". Novo homem e nova mulher.)

Dizíamos que "evangelizar é a missão da Igreja". E que esta é a razão de ser da Igreja. Mas poderíamos perguntar: o que é evangelizar? Resposta: anunciar a presença do Reino de Deus no meio de nós.

Pe. Baldessin partiu da história de Emaús para falar da pedagogia de Jesus na evangelização. E de como devem agir os seus discípulos. Dez passos, que podemos fazer no dia-a-dia, sem complicações. Pois se pararmos para analisar, com certeza veremos que fazemos isso no cotidiano de nossas ações: preparar-se, tomar a iniciativa, dialogar, confrontar, ensinar, fazer comunhão, revelar, converter, testemunhar. 

O versículo 13 abre a narrativa mostrando a realidade daqueles discípulos. Haviam partido de Jerusalém, e estavam conversando sobre o que havia acontecido. Esta é nossa realidade. Conversamos sobre as coisas da vida. Sobre nossas frustrações. Sobre nossas esperanças. Sobre nossas alegria e tristezas. Mas às vezes, conversamos sobre nada.

Jesus percebe essa realidade. Sabe qual é a frustração daqueles discípulos. Conhece a sua realidade. Sabe das suas necessidades. A primeira ação no processo de evangelização é buscar conhecer a realidade exterior daqueles que serão evangelizados. Pois a forma como cada um reage às situações diversas da vida é diferente.

Segundo, "tomar a iniciativa". O versículo 15 nos apresenta um outro detalhe do processo de evangelização. Jesus "pôs-se a caminhar com eles". Queria saber do que falavam e comentavam. Qual o assunto que os afligia. Porque estavam cabisbaixos e decepcionados.

Tomar a iniciativa, "eis um dos maiores desafios da pastoral", da Igreja, do agente, do clero. Os agentes de pastoral (não importa sua condição dentro da Igreja) devem sempre tomar a iniciativa, ir ao encontro. Sair da cômoda posição de ficar esperando que se venha ao nosso encontro. "Você já se perguntou por que faz esse trabalho? Qual foi a motivação que fez você tomar a iniciativa para atuar como agente de Pastoral?"
Terceiro passo, Dialogar. "Só conhecemos o outro quando conhecemos sua história. E para conhecê-la é preciso ouvir e dialogar". O versículo 17 nos dá pistas de como iniciar um diálogo frutuoso: "Que palavras são essas que trocais entre vós?" Perguntar o que se passa. Como se está sentindo. Se você está fazendo uma entrevista para o matrimônio perguntar aos noivos porque decidiram se casar na Igreja, por mais que esta pergunta não esteja presente no questionário burocrático. Existe outra questão na entrevista matrimonial que fala sobre sua prática religiosa. Muitas pessoas, pelo menos aqueles que eu entrevisto, dizem não ter prática religiosa (não vão à missa). Se não tem prática religiosa, porque querem casar na Igreja? Os noivos ficam sem reação. Parece que acende uma luz vermelha na mente e no coração. Então, pergunto: nem reza em casa? Aí surge uma esperança. Dizem que sim, de vez em quando. Quando estão necessitados.

Percebo que a fala dos noivos apresenta uma realidade vivida em todos as circunstâncias da vida, inclusive das pessoas que vivem na Igreja. Estão com o corpo na Igreja. Mas o espírito...! O que falo aqui serve para os agentes dos sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Eucaristia, Crisma. Você que trabalha na Pastoral do Batismo já perguntou aos pais porque querem batizar seus filhos(as)? E aos padrinhos e madrinhas? Você catequista, já inquiriu seus catequizandos sobre o porque querem fazer a primeira comunhão? E aos pais porque desejam isso? Isso serve para a Crisma, o chamado Sacramento da Maturidade Cristã. Serão nossos jovens maduros o suficiente para receberem esse sacramento tão sério para a vida pessoal e da Igreja?

O diálogo serve para que possamos aprofundar a evangelização. Entender o que se vai no coração do outro para falar do Reino de Deus.

Quarto. Acolher. "Acolher, e escutar, sem a preocupação de aconselhar e resolver os problemas do outro". Acolher "é centrar-se na fala do outro e oferecer sua mão sob forma de silêncio". O agente de pastoral que sabe "fazer isso, certamente captará a confiança do outro" e dará o primeiro passo para o diálogo.
Quinto. Confrontar. A palavra parece forte e pesada. Indica-nos uma situação de cobrança. Ninguém gosta de ser confrontado porque faz pensar em suas ideias e práticas. Muitas vezes, consolidamos nossas práticas religiosas. Instalamo-nos confortavelmente em nossas ações pastorais e pessoais, e não gostamos do confronto. Deixar-se confrontar-se é uma atitude de quem está em constante busca de conversão. Foi assim com Nicodemus. Foi assim com os Discípulos de Emaús. Após ouvir e acolher, Jesus os fez confrontar-se com suas ideias: "Ó homens sem inteligência e lentos de espírito em crer em tudo o que os profetas anunciaram!".

Com certeza, aqueles discípulos não gostaram do confronto. Devem ter pensado como um forasteiro nos diz o que devemos pensar em relação àquilo que vimos e vivemos nestes dias? Entretanto, "é um confronto direto que nos faz amadurecer nossa fé. Confrontar é transmitir a verdade com amor. (...) O confronto vai ajudá-lo a retomar o caminho e fazê-lo aprender a ver a realidade de outra maneira e aprender a convier com as limitações".

Sexto. Ensinar. Etmologicamente, esta palavra significa colocar um sinal. Marcar. "Ao mesmo tempo que confrontamos alguém temos a oportunidade de ensinar: 'e começando por Moisés..." (v. 27). O encontro (confronto) pode despertar sentimentos positivos ou negativos. Ensinar é mostrar que existe uma ralidade que vai além daquela que se vê, ou daquela que experimentamos, seja ela positiva ou negativa.
Sétimo. Fazer Comunhão. "Fica conosco!". "Quando temos a oportunidade de conversar com alguém que nos dá atenção queremos sempre estar em contato. Isso porque desperta em nós sentimentos de confiança e amizade".

"Fica conosco". "É um convite para comunhão mais profunda". "Como é bom ter alguém por perto nos momentos de incerteza". Muitas vezes, é preciso mais do que apenas um sacramento ou bênção. É necessário um aperto de mão ou abraço caloroso. Um "gesto de afeto que traga coragem e esperança".
Oitavo. Revelar. "A mesa é o lugar da revelação". Muitas revelações acontecem ao redor das mesas: negócios fechados, revelações familiares. Jesus se revela no partir o pão. "Partir o pão significa partilhar a própria vida". Quando nos colocamos à serviço do outro, reconhecemos nele a presença do Cristo, e ao mesmo tempo "revelamos Cristo para eles".

Nono. Converter. "A conversão não acontece de uma hora para outra". "Não basta um sói momento para a conversão". O "agente de pastoral tem um papel" importante neste processo. A "conversão deve ser entendida com uma nova maneira de pensar e encarar a vida. O convertido se torna testemunho para o outro".

Décimo. Testemunhar. "Testemunhar não é guardar para nós mesmos como um tesouro tudo o que vemos e ouvimos". O versículo 33 narra a experiência do convertido e missionário, aquele que testemunha o que viu: "Partiram imediatamente. Voltaram para Jerusalém. Narraram os acontecimentos do caminho e como haviam reconhecido Jesus no partir do Pão".

Irmãos e irmãs, a paróquia deve ser o lugar onde aprendemos a ser discípulos. Mulheres e homens de fé. De conversão. Acolhedores. Partícipes da Mesa Eucarística nos tornaremos anunciadores do Reino de Deus.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"...Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo...!"


Por: Diácono Marcos Gayoso

Queridas amigas e amigos,

Por algum tempo estive num retiro. Retiro pessoal. Na vida cotidiana. Alimentando-me com a Palavra de Deus. Deixando o Senhor agir em minha vida. Meu tempo ficou escasso para partilhar com vocês as maravilhas que Deus foi operando. Mas agora, nesta segunda semana da Páscoa, registro minha oração do evangelho de João 20,19-31.

O segundo Domingo da Páscoa é chamado de Domingo da Misericórdia. Este é um dos ministérios de Deus. Ser misericordioso. Mas devemos ter cuidado, Deus é misericordioso com aqueles que aceitam a misericórdia. Ele sempre está disposto a ser misericordioso conosco. Desde que assim queiramos. Ele mostra a sua vontade. Deus nos chama a estarmos ao seu lado. Deus está disposto a nos perdoar. A agir com misericórdia.

Vamos ao texto.
Inicialmente, Jesus entra no lugar onde estavam os apóstolos. Interessante notar que tinham medo dos judeus, por isso mantinham as portas trancadas. Reflitamos: quantas vezes fechamos as portas de nossa coração para a presença de Jesus? Quantas vezes, depois de vivermos uma vida de fé, de Igreja, nos fechamos na nossa preguiça pastoral? Vamos nos acostumando com o dia-a-dia, rotina, e isso nos fecha ao novo que pode surgir?

Mas Jesus restaura todas as coisas. Faz novo aquilo que está ficando carcomido pelo tempo. Nestas horas ele entra. "Invade". Ele vem ao nosso encontro sem pedir licença. Quer que mudemos de vida. Por isso, nos diz: "A paz esteja convosco". Paz. Shalom. سلام (árabe). A paz é um desejo contido no coração da humanidade. Esta paz foi perdida quando Adão e Eva romperam com a graça de Deus e tiveram que sair do paraíso. Paz é um estado de espírito. Paz é estar junto de Deus. Paz é fazer a vontade de Deus. Mesmo diante da dor e do sofrimento, podemos estar em paz: "...mostrou-lhes as mãos e o lado". Passando pelo sofrimento da Paixão e da cruz, Jesus não apagou as marcas, ele dá a paz. Saber tirar da dor e do sofrimento a paz que vem de Deus. Jesus não escondeu as marcas da dor. Mas delas tirou a paz.

Observemos que ele deseja a paz duas vezes. Mas na segunda vez, a paz vem seguida de um envio em missão. Aquele que experimenta a paz de Deus deve anunciar o evangelho. Deve viver conforme o evangelho. Disse Jesus: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio". A missão não será fácil. Será preciso passar pela cruz. Ter as marcas daquele que é contrário à vontade de Deus. O missionário deve ter consciência que passará pelas mesmas dificuldades no mestre. O Pai enviou Jesus. Este nos envia.

A missão é confirmada pelo Espírito Santo. Os apóstolos recebem o envio. Lembremos do batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba. A partir do Batismo, é o Espírito Santo que nos impulsiona para a missão. Ele passa ser o nosso guia.

Aqui entra um detalhe. É o Espírito Santo quem age no perdão. Na Misericórdia divina. Esta parte do texto é, muitas vezes, utilizada para apresentarmos o sacramento da Penitência. Quero pedir licença os meus leitores para fazer uma outra consideração. Jesus diz: "A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem não os perdoardes eles lhes serão retidos". Esta frase não pode ser lida fora do contexto da oração do Pai Nosso: "... perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". É interessante observar que o perdão é uma relação recíproca. Ela é uma vida de mão dupla Se quero a misericórdia de Deus, devo perdoar o meu irmão também. Se tenho a faculdade de pedir perdão, tenho a obrigação de dar este perdão. Do que adiante termos um dia no ano em que meditamos sobre a misericórdia se não damos essa misericórdia aos outros? Se não somos missionários, evangelizadores dessa misericórdia?

Portanto, irmãs e irmãos, se queremos misericórdia, devemos ser misericordiosos. Se queremos o perdão, devemos dar o perdão. Se queremos a paz, devemos aceitar as cruzes, e as marcas que elas provocam, no dia-a-dia.

O Evangelho deste domingo tem duas partes. A primeira, a que acabamos de refletir. E a segunda, em relação a história de Tomé. Mas isto ficará para outra oportunidade. Deixo-vos com a meditação da misericórdia e da missão.

Oremos: "Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu nova vida e o sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito Santo. Amém!"

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

"Eis que eu estarei com vocês com vocês todos os dias, até o fim do mundo".


A frase título de nossa postagem, é a última frase do evangelho de Mateus.

Em tempos de troca de comando na Igreja, podemos ficar com nossos corações agitados. Os órgãos de imprensa não entendem o que se passa dentro da Igreja. Ao mesmo tempo que é uma instituição inserida no mundo, ela não é regida pelas leis do mundo. A lógica do mundo não faz parte da lógica da Igreja (ou pelo menos não deveria fazer). Nossas leis e ações são ditadas, primeiramente, pela Sagrada Escritura. Em seguida, pelo Magistério e Tradição. Nossos Cardeais e Bispos não são gerentes e supervisores. Nosso Padres e Diáconos, não são operários que executam atividades de forma automática, sem pensarem.
Somos uma isntituição divina. Formada por mulheres e homens que se sentem chamados a caminharem rumo ao Reino de Deus. Seja de forma consagrada, a saber, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, leigos consagrados, leigos matrimoniados, celibatários. A cada um, Deus concedeu um dom específico, mostrando que o seu Reino não é uma mesmice, mas uma família onde todas e todos tem seu lugar. E chamados a conformirem seu irmãos na fé.

Ao terminar sua missão no meio de nós, mas sabendo que a consumação dos séculos ainda não havia chegado, Jesus deixou-nos a Igreja para que ela fosse a continuadora de sua missão. Mas a Igreja não caminha sozinha. Ela tem a assitência do Espírito Santo, que faz com que Jesus continue em nosso meio. É Ele o guia da Igreja. Somos movidos por Ele em nossas boas ações. Algumas vezes, cometemos falhas, e Paulo nos alerta para isso: "O querer o bem está em mim, mas não sou capaz de fazê-lo. Não faço o bem que quero, e sim o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, não sou eu que faço, mas é o pecado que mora em mim". (Rm 7,19-20). O apóstolo nos ensina o caminho da tolerância. Tem diante de si as palavras de Jesus: "perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".

Os homens da Igreja cometem erros. E disso temos muitos exemplos. Mas se somos Igreja, sofremos com isso. Mas também nos alegramos com os Santos que Deus vai colocando em nossas vidas. Pequenos santos do dia-a-dia. Bem como os grandes santos de nossa devoção, seja ela comunitária ou individual.

Irmãs e irmãos, lembremos: "Eis que eu estarei com vocês com vocês todos os dias, até o fim do mundo". É Jesus quem cominha junto a sua Igreja. Junto a cada um de nós. Somos por Ele, Nele e com Ele, na Igreja Una Santa Católica e Apóstólica, que tem no Papa seu representante maior. Aquele que nos confirma na fé a nos apacenta, pois acima de todos, ama Jesus mais que tudo. Quando no evangelho de João, capítulo 21, a partir do versículo 15 pergunta a Pedro se ele o ama, após a terceira vez, Jesus diz: "Cuida das minhas ovelhas". Pedro, Papa, cuida de cada um de nós. Quando sentires sem rumo, lei o que nos fala o Papa.

Oremos pelo próxima Pedro (Papa) que virá cuidar de cada um de nós, por Cristo, pelo Espírito Santo.
Lembremos que Maria nos foi dada por mãe por João. Caminhamos com ela.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Os discípulos ficaram calados...!"

Por: Diácono Marcos Gayoso

O Evangelho foi o da Transfiguração. Alguns pontos para nos ajudar em nossa oração.
Jesus leva três dos seus discípulos para orarem no alto de uma montanha: Pedro, João e Tiago. Lembro que serão os três que viverão mais intensamente alguns momentos da vida do próprio Cristo. João é o mais novo.
A montanha. Lugar do encontro com Deus. Em vários momentos do antigo testamento, Deus se revela na montanha. As principas destas revelações estão relacionadas com Moisés. É na montanha que Deus fala a Moisés como conduzir o povo até a terra prometida. É na montanha que Moisés recebe as tábuas da Lei. É, agona, na montanha que Deus dirá para que seu Filho seja ouvido.
Observamos que Jesus está em oração. Seu rosto mudou de aparência. É a primeira caracterísitca daquele que ora a Deus com o coração sincero: mudança de fisionomia. Tornamo-nos mais atraentes. Parece que Deus age diretamente na pessoa que se coloca em oração verdadeiramente.
Esta é como outra oração qualquer: uma conversa. Neste casa, Jesus aparece conversando com os representantes do Antigo Testamento que mais estavam ligados À sua mensagem; não tirando o merecimento dos outros. Moisés, aquele que conduziu o povo à terrra prometida. Elias, o profeta por excelecência, e que havia subido ao céu numa carrruagem de fogo.
O que nos marca nesta cena dos três é o assunto da conversa: a morte que Jesus iria ter em Jerusalém. Neste momento de glorificação, Jesus fica sabendo do tipo de sua morte. De como ela seria violenta. Como ele seria desprezado. Escarnecido. Neste ponto, um detalhe importantíssimo: "Pedro e os companheiros estavam com muito sono". Em estado de letargia. Desligados do que acontecia. Pareciam não acreditar. Quantas vezes nos encontramos assim. Sonolentos. Sem saber o que fazer. Desligados dos acontecimentos da vida cotidiana. E como fugimos de assuntos os quais chamamos de desagradáveis. Morte, câncer etc. Muitas pessoa não falam a palavra câncer, dizem "aquela doença".
Sem saber o que dizer, Pedro pensa em construir tendas. Pedro ficou tão inquieto com o que estava vendo, que queria que aquilo ficasse eternizado: construir tendas. O sono nos leva a queremos ficar parados no tempo. Eles, em alguns momentos, nos atrapalham no nosso relacionamento com Deus.
No momento de nossas orações falamos tanto, que nos perdemos. E enquanto ele falava, Deus agia. Uma nuvem encobriu a todos. A nuvem é a presença de Deus no meio de nós. Isto causou temor nos discípulos, pois foram envoltos pela graça de Deus. E da nuvem, uma voz forte, tal qual a Batismo do Senhor, disse: "Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!" Não mais Moisés e Elais. Agora quem deve ser escutado é o próprio Filho de Deus, Jesus. Devemos relacionar essa frase com a Igreja também. Aqueles que ouvem a Igreja, é ao próprio Jesus que estão ouvindo, pois ele recebeu a missão de continuar anunciando o Reino de Deus entre nós.
Enquanto a voz ressoava, Jesus ficou sozinho. Não há mais passado. Somente o presente. Jesus é o presente. Jesus é a voz que deve ser escutada.
Aqui entra a experiência mais fantástica da humanidade: calar-se. Os discípulos ficaram calados naqueles dias. Foi tão intensa a experiência vivida pelos discípulos que não havia palavras para comentar. Quantas experiências vivemos em nossas vidas, que não temos palavras para descrevermos. Calar-se diante da vivência de um encontro extraordinário com Jesus, é fantástico. Calar-se para digerir a experiência. Calar-se para refletir sobre o que experimentamos. Calar-se para poder anunciar depois. Quanta falta de silêncio, de calar-se, temos em nossas vidas. O barulho é uma constante. Não conseguimos silêncio, nem exterior, nem interior.
Busquemos a Deus no silêncio e na oração. Calemo-nos para Deus possa falar. Calemo-nos para que Deus possa anunciar o seu Filho dentro de nós.
Oremos: "Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidae do Espírito Santo".

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Uma reflexão sobre a Quaresma


Por: Diácono Marcos Gayoso

Prezadas irmãs e irmãos,

Hoje iniciamos o período quaresmal. Quarenta dias em que somos chamados a refletirmos, mais intensamente, sobre nossa vida espiritual. Nossas práticas de oração e jejum, e a caridade através da esmola.

No Brasil, temos a Campanha da Fraternidade que tratará do tema da JUVENTUDE. Tendo como lema: “eis-me aqui, envia-me”, tirado do livro do profeta Isaias capítulo 6 versículo 8. Este tema foi escolhida por conta da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro em julho deste ano. Toda nossa oração, todo nosso jejum, toda nossa caridade deve se voltar para as ações que temos praticado para a evangelização dos jovens.

As leituras da liturgia de hoje nos mostram os caminhos para vivermos nossa fé, não apenas de aparências e ritos esvaziados. Esvaziados no sentido teológico, apenas como cumprimento de obrigações, ou por superstições. As leituras nos mostram o quanto Deus caminha ao nosso lado e nos faz mulheres e homens diferentes. Renovados. Restaurados. Reconciliados com o Deus que caminha ao nosso lado, mesmo que de maneira oculta. Como nos fala o profeta Isaias: “...Tu és um Deus escondido” (Is, 45,15).

Temos a primeira leitura tirada do livro do profeta Joel. Quem é este profeta? O livro deste profeta está relacionado com o culto. Não se tem uma data precisa de seu escrito. Entretanto, ele parte de uma situação concreta, da vida diária, para falar de como nós agimos diante de Deus. A cidade havia sito tomada por uma praga de gafanhotos (muito comum naquele tempo). Joel, ao contemplar esse fato, interpreta-o como um exército aguerrido e ordenado que assalta e conquista uma cidade.

Esta catástrofe requer uma “ação religiosa” de expiação. Uma jornada de jejum e penitência. Ao utilizar algumas expressões, tais como “(pois) agora” e    “quem sabe (talvez)” nos remete a uma temporalidade que nos coloca diante da vida concreta.

Ao dizer “Agora”, significa, ainda há tempo de se converter. Deus nos dá a chance de mudança de vida. Deus, como uma mãe (é assim que nos pede nossa cultura latina), espera que voltemos para casa, mudados.
Na expressão “quem sabe”, dando uma ideia de talvez, mostra-nos que nós não podemos dispor de Deus a nosso bel-prazer.

Joel apresenta os atributos de Deus para a nossa conversão: clemente, paciente, misericordioso, se arrepende das ameaças. Para aquele que se volta para Deus pode-se ter a certeza de que ele nos espera de braços abertos. E por isso diz o início da leitura: “...voltai para mim com todo o vosso coração...”. E ainda, “rasgai o coração, e não as vestes; voltai para o Senhor, vosso Deus”. Rasgar o coração significa mudança de atitudes. Mudança de vida. Largar hábitos que nos levem à morte. O rito pelo rito é letra morta. O rito com mudança de vida, com conversão, gera um novo homem, uma nova mulher, uma nova sociedade, uma nova humanidade.

Na segunda leitura, Paulo nos lembra que agora é o momento favorável de mudança. De conversão. Este é o “dia da salvação”. Jesus tornou-se pecado para que pudéssemos nos tornarmos santos. Ele lembra que a graça de Deus não deve ser recebida em vão. E quando voltamos as costas para o outro, estamos desperdiçando a graça de Deus. Lembremos, somos colaboradores de Cristo, e como tal, não vamos desperdiçar o momento favorável de mudança.

No evangelho, destacamos aquilo que se pede em todas as quaresmas: Esmola, Jejum e Oração.
A esmola era uma prática comum no primeiro testamento. E não é apenas doar dinheiro a quem necessita. A esmola é uma atitude espiritual muito maior.

Já no livro dos Provérbios encontramos: “Não negues um favor a quem necessita, se está em teu poder faze-lo” (Pr. 3,27). No Salmo 112(111), no versículo 5, diz: “Feliz o homem que se compadece e empresta...”. Isaias 58,10: “Se dás teu pão ao faminto e sacias o estômago do indigente, tua luz surgirá nas trevas, tua escuridão se tornará meio-dia”.

Assim, a esmola é muito mais do que dar dinheiro a quem pede. Subordinar a esmola, que é altruísmo, ao interesse pessoal, que é egoísta, é esvaziá-lo de sentido (pode-se pensar em patrocinadores públicos). A esmola também um ato de oração. Diz o livro dos Provérbios 19,17: “Quem se compadece do pobre, empresta ao Senhor”. No livro do Eclesiástico temos a instrução sobre o “mesquinho e o generoso”. Vale a pena ler, Eclesiástico 14,2-19.

Oração. Jesus nos fala de uma oração particular, não pública. Aquela feita no íntimo do coração. Este não se deve converter em espetáculo. Que contraditório louvar a Deus para a glória própria de quem ora. Deus está em toda parte, embora oculto. “É verdade, Tu és o Deus escondido” (Is. 45,15).

Jejum. Havia dois tipos de jejuns: públicos e privados. A primeira leitura deixa-nos o exemplo do jejum privado proclamado publicamente: “convertei-vos para mim de todo o coração, com jejum... rasgai os corações” (Jl 2,12 e 13). Hoje convocamos todo a nossa nação católica a praticar o jejum. Ainda no mesmo profeta Joel, encontramos no capítulo 1 versículo 14: “...proclamai um jejum... porque está próximo o Dia do Senhor”.

Quanto ao jejum privado, encontramos um exemplo típico no segundo livro de Samuel. Davi ora a Deus pela saúde de Salomão. “Davi pediu pela criança, prolongou o jejum e de noite deitava no chão”. O Jejum é um momento de nos aproximarmos de Deus. Ele está conectado diretamente com o Senhor Deus. Ele ordena a vida para Deus. Jejum sem oração é dieta. Jejum orante é retorno. É conversão.

Em Isaias 58,1-7 lembra para que serve o jejum: “... O jejum que eu quero é este: abrir as prisões injustas; soltar os ferrolhos dos cepos; partilhar teu pão com o faminto; hospedar os pobres sem teto; vestir aquele que vês nu e não te feches à tua própria carne”.

Assim, irmãs e irmãos, Tenhamos uma quaresma de oração, jejum e esmola. Pensemos naqueles que necessitam de nossa ajuda. Reflitamos sobre o que estamos fazendo pela e para a juventude de nossa paróquia e de nosso bairro. Seja uma família acolhedora. Abra sua casa para receber os peregrinos da Jornada Mundial da Juventude. E “cada um trate seu irmão com piedade e compaixão, que ninguém planeje maldade contra seu irmão” (Zc 7,9).

domingo, 27 de janeiro de 2013

"Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida!"


A liturgia de hoje nos convida a nos debruçarmos sobre a Palavra de Deus. Somos levados a meditar sobre a importância da Palavra de Deus na vida pessoal e na vida comunitária.
O profeta Neemias nos mostra que o sacerdote Esdras, estando num lugar de destaque ("estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim" - Ne 8,4), prepara-se para a proclamação do livro da Lei.
O povo coloca-se numa atitude de escuta atenta, o povo colocou-se de pé. Após a leitura, inclinaram-se diante do Senhor, que se fazia (e se faz) presente na sua Palavra.

Após a leitura, o sacerdote esclarece o povo, de "maneira que se pudesse compreender a leitura".
Assim falou Esdras: "Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus. Não fiqueis tristes nem choreis. (...) Ide para as vossas casas e comei carnes gordas, tomais bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força".

A Palavra de Deus exorta à partilha: "reparti com aqueles que nada prepararam". A Palavra de Deus santifica do dia: "este dia é santo para o nosso Senhor". A Palavra de Deus exorta a alegria: "A alegria do Senhor será a vossa força".

Na segunda leitura, Paulo afirma que formamos um só corpo, a Igreja. E que está possui muitos membros. E que estes membros formam o corpo. E que cada membro tem uma função importante no corpo, pois foi colocado ali pelo próprio Deus ("Deus dispôs os membros, e cada um deles no corpo, como quis").

O Apóstolo nos diz que "fomos batizados num único Espírito para formarmos um único corpo".
Paulo pede que "os membros zelem igualmente uns pelos outros". E ainda acrescenta: "se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se é honrado, todos os membros se regozijam com ele". Pois quando cuidamos de um membro o corpo todo se alegra com este cuidado.

Ao falar do corpo Igreja, Paulo nos ensina que "na Igreja, Deus colocou em primeiro lugar os apóstolos, em segundo, os profetas, em terceiro, os que tem o dom de ensinar". Logo depois, ele elenca outros dons.
Ao destacar estes três, ele coloca o tripé da Igreja: Apóstolos (magistério)-Profetas (pregadores)-Catequistas (transmissão da fé).

Para entendermos esta trilogia, devemos ir ao Evangelho de hoje. Na primeira parte, Lucas afirma que seu evangelho será escrito a partir de um "estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu". E conclui que "deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos".

Os ensinamentos foram passados pelos Apóstolos. Estes foram chamados a ir pelo mundo anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os Apóstolos são os depositários da fé. E transmitiram isso para os Bispos.
Os profetas são aqueles que não detendo o ministério apostólico, são ungidos para a pregação. A transmissão da Palavra.

E os catequistas, responsáveis na comunidade para a transmissão da fé, da doutrina, do ensinamento dos apóstolos.
No Evangelho, parte já foi colocado acima. Vamos falar da segunda parte do Evangelho de hoje (Lc 4,14-21).

Até aqui, Lucas coloca todo o início do ministério de Jesus na região da Galileia. Nesta região está a cidade na qual nasceu Jesus. É na sinagoga que Jesus ensina. Sua pregação se dava no lugar onde o povo se reunia para a oração semanal. Reuniam -se diante da Palavra de Deus, como na primeira leitura. É a palavra que exorta para uma vida melhor e diferente. É Deus que deve dizer como devemos agir.

A Jesus foi dado o livro para a leitura. A passagem é clássica. Aqui o que nos interessa é a nossa missão nos dia de hoje. Muitos são chamados a serem consagrados para anunciar a palavra de Deus, mas fogem. Muitos sofredores (pobres, cativos, cegos, oprimidos) precisam ouvir a Palavra de Deus. E algumas pessoas fogem dessa missão. Dizem que não tem tempo. Que não sabem falar. Que não entendem. Esquecem que Deus é quem unge para esta missão.

Deixemos que Deus aja em nós. Deixemos que a unção aconteça. Seja membro do corpo e faça o corpo ter vida. Pois se você é um membro morto, o corpo morrerá com você e não cumprirá sua missão.

"Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!"

Minha reflexão da liturgia de hoje - Diácono Marcos Gayoso

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

"Tu és o meu filho amado...!"


Por: Diácono Marcos Gayoso

Amigos, vamos ler esta reflexão que nosso diácono Marcos Gayoso preparou sobre a liturgia do último domingo?

Prezadas irmãs e irmãos,

Hoje celebramos a Festa do Batismo de Jesus. Ao contemplarmos a cena do Batismo de Jesus, vemos que a humanidade de Jesus é colocada a toma. Jesus que é "verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus".
O profeta Isaías anuncia aquilo que o Senhor nos fala: "Eis o meu servo, que eu apoio, meu eleito, ao qual minha alma quer bem, pus sobre ele o meu Espírito". O Senhor nos chama de servos. Somos convidados a estarmos à serviço do Senhor. Jesus era o servo de Deus.

Aquela e aquele que são chamados a serem servos, são escolhidos, "eleitos", pelo Senhor. Sobre o servo pousa o espírito de Deus. Sobre cada um dos batizados, está o espírito do Senhor.

Logo após, ainda continua o texto, "sou eu o Senhor, eu te chamei..., te segurei pela mão, te guardei, e te destinei a seres aliança do povo". Somos destinados a sermos aliança, a fazermos união do povo com o Senhor. O profeta nos lembra que somos luz, que devemos abrir os olhos daqueles que não enxergam, de libertar os cativos.
Somos luz para iluminar o caminho daqueles que andam na escuridão. Somos responsáveis por abrir os olhos daqueles que não enxergam a presença do Senhor em suas vidas. Somos libertadores dos que se encontram prisoneiros do mundo, das coisas do mundo, das modas do mundo, das convenções que nos paralisam e não nos aproximam daqueles que sofrem.

Na segunda leitura, Pedro nos lembra que Jesus "andou por toda a parte, fazendo o bem". Jesus não escolheu aonde iria fazer o bem. Ele o fazia em qualquer lugar que ele estivesse. Sua presença já era marca da bondade. Em outra passagem lemos alguém dizendo a Jesus: "Bom Mestre...". E Jesus respondendo: "Porque me chamais de bom? Só Deus é Bom!". Se Deus é o bem, todo o batizado deve ser bom, pois a bondade é inerente a todo aquele que faz parte da filiação divina através do batismo. É dever de todo batizado ser bom.

No evangelho, algo de maravilhoso acontece. Jesus é batizado com o povo. O batismo do Senhor não teve nada de especial. Não precisou de celebração exclusiva. Não foi feita pelo sumo sacerdote. Não foi no templo. Jesus é batizado junto com o povo. Demostrando sua humanidade. Jesus está próximo aos seres humanos. Jesus é um do povo, como alguém do povo. Caminha no meio do povo. Não tem privilégios. Vive a vida do povo.

Ainda no evangelho, logo após seu batismo, Jesus não foi para a festa. Ele foi orar. Entendia que aquele era um momento especial em sua vida. Sua humanidade acabava de se manifestar. É na oração que Deus se revela, pois "enquanto rezava, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre Jesus". Quando oramos o Espírito Santo vem sobre nós. E o batismo é o grande momento de nossa oração. Lembrarmos de nosso batismo é a oportunidade que temos de entrar em comunhão com aquele que nos deu a vida e nos tornou "Filhos de Deus".

Irmãs e irmãos, façamos da força de nosso batismo uma oportunidade de assumirmos a missão que Deus nos deu: sermos evangelizadores. Anunciadores da boa nova de Jesus. Deixemos o Espírito Santo agir em cada um de nós, nos impelindo para a missão.

Deus nos abençoe

domingo, 6 de janeiro de 2013

Epifania do Senhor


Fonte: Sara Sampaio - Membro da Comunidade Acampamento Maanaim para o Portal da Arquidiocese


Epifania é um termo grego que significava a entrada solene de um rei ou imperador numa cidade. Também poderia ser atribuída a aparição de uma divindade, e receberia também o nome de "teofonia", que quer dizer aparição, manifestação de Deus. O Senhor se manifesta a cada um de nós sempre, não só nos momentos alegres, mas também nas dificuldades. É preciso estar atento para os sinais de Deus. A Igreja celebra três momentos de Epifania, em especial: a visita dos Reis Magos a Jesus menino, o batismo no rio Jordão e as Bodas de Caná. Logo depois do Natal, no dia 6 de janeiro, comemoramos o Dia de Reis, e temos muito o que aprender com eles sobre como viver estas manifestações.

Um novo astro apareceu em um céu estrelado. A Estrela de Belém, um dos maiores símbolos de Cristo, veio à Terra para com seu brilho iluminar os passos da humanidade. Os magos viram este astro e, atentos, perceberam que era sinal do nascimento do Messias. Naquela época, astrônomos e sábios eram chamados de magos. Em uma mensagem para os jovens, o Papa Bento XVI diz: “Caríssimos, é importante aprender a perscrutar os sinais com os quais Deus nos chama e nos guia”.

Deixando suas terras, montados em seus camelos, os reis atravessaram grandes desertos, desafiando o sol ardente, a sede e inúmeros outros perigos para chegarem à Judéia e adorar o Rei dos Reis. Mesmo nas dificuldades, a estrela, sinal de Deus, estava lá, e eles não pararam de olhar para ela e segui-la.

Conduzidos para onde Jesus estava, os reis entraram, viram o menino Deus com sua mãe, Maria, se prostraram diante d’Ele e o adoraram. Eles tinham feito toda esta jornada para adorar o Senhor. Somos chamados a fazer o mesmo, ser adoradores em espírito e verdade. Podemos adorar a Deus em qualquer lugar, e principalmente em sua presença real na Eucaristia.

Cada rei veio de um lugar. Não se sabe ao certo se eram três reis, mas a profecia começava a se concretizar: Salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”. Os reis magos representam toda a humanidade: simbolizam as únicas raças bíblicas, isto é, os “semitas”, “jafetitas” e “camitas” e as raças branca, negra e amarela.

Cada um deu um presente a Jesus: um ofereceu ouro, que era o presente para um rei; outro, incenso, representando a espiritualidade; e o terceiro, a mirra, presente para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simboliza a imortalidade). Estes presentes confirmam o caráter de Jesus: Rei, sacerdote e profeta.

Depois de encontrar Jesus, os reis voltaram por um caminho diferente do que tinham vindo, avisados por um anjo que deviam fazer assim. A cada encontro com Deus, seja no dia-a-dia ou em um retiro, o importante é voltar por um novo caminho, que com certeza é muito melhor que o antigo, mesmo que não seja fácil viver a vida nova que Deus quer nos dar.

Curiosidades sobre os reis magos

- Não há certeza sobre o nome dos reis magos, mas eles acabaram sendo conhecidos como Melchior, que quer dizer “Rei da Luz”, Baltazar, o “senhor dos tesouros” como diz seu nome (bithisarea), e Gaspar.

- A tradição de presentes no Natal começou graças a ação dos magos ao dar presentes ao menino Jesus, e a árvore de Natal é desmontada no dia de Reis.

- A Epifania é comemorada no dia 6 de janeiro e nasceu no Oriente para celebrar o natal do Senhor na carne humana. Na Igreja do Ocidente passou-se a celebrar o Natal no dia 25 de dezembro, que era o dia em que se festejava na Roma Pagã o deus sol. A Epifania ficou sendo a manifestação de Jesus a todos os povos, significados nos magos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Verbo se fez carne

Amigos, após a rica leitura da reflexão de Natal que nosso diácono Marcos Gayoso preparou especialmente para o blog, convido a leitura do Artigo de nosso pastor Dom Orani João Tempesta, publicado no Portal da Arquidiocese do Rio de Janeiro


Celebramos o Natal! Mesmo para os que não creem é um momento de repensar a vida e a fraternidade. É o grande Mistério da Encarnação! A notícia do Deus que se faz homem, da salvação presente na doce figura do Menino Deus, convida o homem à contemplação.

A encarnação é um mistério grande, um fato que a razão humana não pode abarcar. Um mistério tremendo que ilumina, porém, toda a vida do homem. O Natal chega, como acontece a cada ano, trazendo um clima diferente.

Para quem crê e para quem ainda não cruzou a “porta da Fé”, este é um tempo de mudar o ritmo da vida, parar, e se reencontrar com aqueles que Deus nos deu. O clima que se estabelece neste tempo faz com que o Natal seja a época de rever a família, de se alegrar com os amigos, de cuidar de quem não tem família, de ajudar os mais necessitados.

Crendo ou não crendo, todo mundo entende que é uma festa, em que se sente a necessidade de partilhar um presente com alguém. Porém, sabemos que o grande e maior presente é justamente o Verbo de Deus que se fez carne. Deus tanto amou o mundo que enviou o Seu Filho.

Ninguém pode ficar fora da noite de Natal. É uma noite diferente, uma festa especial. O “espírito” do Natal nos investe a todos. Mas, de onde vem toda esta ternura?

Parece-me que este clima nasce do mistério que nós celebramos: a gruta de Belém, os pastores, a estrela, o Menino que nasce. Neste cenário se esconde e se revela o dom imenso do Menino Luz. Um dom que é reconhecido e anunciado pelos presentes dos magos, um dom que comove e faz cantar pastores e anjos, um dom que, tantos homens o entenderam, é o dom maior que se poderia ter. Da ternura anunciada por esses sinais vêm as consequências sociais do Mistério celebrado.

Naquela manjedoura de Belém uma longa espera tem fim, a espera de todo um povo, mais ainda: a espera de todo homem que amou a verdade, a beleza, a justiça. Naquela noite esta espera tem fim. No presépio está presente a Salvação. O simbolismo da manjedoura como o espaço onde é colocado o verdadeiro alimento da humanidade, Jesus Cristo, aparece com muita clareza.

Agora, no lugar da longa espera, uma Presença. Uma Presença, um presente, que inunda de silêncio a noite e que muda, sem que o mundo o saiba, a história. Uma Presença: O Emanuel!

No início do III milênio, o Papa João Paulo II nos lembrava que o “nascimento de Jesus em Belém não é um fato que se possa relegar para o passado. Diante d'Ele, com efeito, está a história humana inteira: o nosso tempo atual e o futuro do mundo são iluminados pela Sua presença. Ele é « o Vivente » (Ap 1, 18), « Aquele que é, que era e que há de vir » (Ap 1, 4)” (IM 1).

Um fato que tem um alcance universal, um fato na história que julga toda a história. Na plenitude dos tempos, a Plenitude ali, repousando na manjedoura de Belém de Judá.

O que foi anunciado a Maria, a Salvação que ela carregou no seu ventre, se torna uma presença destinada a alcançar cada homem. A salvação presente numa criança, na carne de um homem. Este é o anúncio alegre que muda toda a história. “Torna-se evidente que Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, como exprime a fé da Igreja” (Bento XVI, em seu livro sobre a Infância de Jesus, p. 106).

É o anúncio de uma Presença que é germe de um mundo novo, realidade nova num mundo ainda marcado pela injustiça e pela violência. O mundo parece o mesmo de antes, mas não é. No mundo em que Ele nasce, ontem e hoje, tinha e têm guerras, genocídios, injustiças, violências, divisões. Mas a Sua presença ilumina, dentro de todas as contradições, cada homem que O encontra.

A Sua presença gera uma humanidade nova, um amor mais potente e doce, que se chama Caridade. A Sua presença muda a vida de muitos homens e continua, na carne deles, sendo um germe de um mundo novo.

Ele é o centro da história, para quem converge toda a história e de onde inicia toda a nova humanidade nascida do novo Adão. Depois da encarnação, o Divino continua presente na vida daqueles que O encontraram e seguiram.

A nossa cidade está prestes a viver o acolhimento alegre de milhares de jovens unidos por um único ideal: o seguimento d'Aquele que nasceu em Belém. Eles serão um sinal eloquente para todos nós de uma humanidade, de uma carne que carrega o Divino e que convida à alegria de viver na Sua presença.

Desejo a todos um Santo Natal, pleno da luz e da paz quem vem do Cristo Senhor.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

"Eis que nasceu para vós um salvador, que é Cristo"


Queridas irmãs e irmãos,

Hoje celebramos a véspera do Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos no ano litúrgico dedicado à meditação do evangelho de São Lucas. Este evangelista inicia o evangelho de hoje constatando um fato histórico. É algo que poderá ser comprovado historicamente. Lucas nos mostra que as coisas de Deus acontecem no dia-a-dia. Na história. A família de Jesus foi para Belém, pois de lá era José. A descendência davídica foi passado pelo pai terrestre de Jesus.
Ao chegar em Belém, Maria deu à luz. Aqui quero fazer minha primeira reflexão. Maria mostra a luz para aquele que ainda estava nas trevas da gestação. Na escuridão da formação humana e fetal. Dar a luz tem um duplo sentido. Ao nascer, ao ver a luz, Jesus se monstra que como luz de todos. Em seguida, Lucas fala de pastores, e que foram envoltos em luz. A luz indica o caminho.
Jesus é a luz de nossa vida. Ele nasce na escuridão e no esconderijo de Belém para iluminar a vida de cada um de nós.
Jesus é centro da vida. E os pastores são chamados a dar testemunho e reverenciar aquele que há de ser nosso pastor. Nos pastorear. Nos conduzir para o redil dos filhos de Deus: o Reino.

Irmãs e irmãos, hoje para nós nasceu "um Salvador, que é Cristo". Alegremo-nos e exultemos. Esse menino, que veio da parte de Deus, está envolto em faixas. Na insegurança da vida, Jesus é acolhido pela segurança das faixas e deitado num manjedoura. Lembremos que manjedoura é lugar onde se colocava a comida dos animais. Jesus já se colocava como alimento da humanidade na manjedoura. Ele é aquele que alimenta a cada um de nós. Por isso, somos pastores. Por isso não tememos. Por isso, a Paz reina para todos os homens que são amados por Deus.

Feliz Natal. Deus abençoe a cada um de vocês que no ano de 2012 acompanharam este blog e minhas reflexões.

Diácono Gayoso

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Qual é o sentido do Natal para os cristãos?


Fonte: Aletéia
Longe do consumismo que nos cerca, a festa do Natal recorda aos cristãos o nascimento do Filho de Deus, que veio para nos guiar pelos caminhos da paz. Mistério de luz e de amor, o Natal é compreendido também sob a ótica da Páscoa. Em Jesus Cristo, Deus se torna próximo de todo homem e o convida a aceitar seu amor em total liberdade.

No Natal, os cristãos celebram o nascimento de Jesus. Mas não apenas como um personagem histórico que mudou o mundo, nascido na província romana da Judeia, no tempo do imperador César Augusto. Na festa de Natal, recorda-se algo fundamental para a fé cristã: a Encarnação do Verbo divino para a redenção da humanidade. Trata-se de um episódio que o evangelista João resume com as palavras: “O Verbo se fez carne”.

“Naquela Criança, envolvida em panos e recostada na manjedoura, é Deus que vem-nos visitar para guiar nossos passos no caminho da paz”, afirma o Papa João Paulo II (mensagem Urbi et Orbi, 25 de dezembro de 2002).

Mas é possível “algo deste tipo?” – pergunta o Papa Bento XVI –. “É digno de Deus tornar-se criança?” (audiência geral de 17 de dezembro de 2008). “Para procurar abrir o coração a esta verdade que ilumina toda a existência humana, é necessário humilhar a mente e reconhecer o limite da nossa inteligência”, responde o Pontífice.

Na gruta de Belém – explica Bento XVI –, Deus se mostra aos homens como um humilde menino para derrotar a nossa soberba. Se Deus tivesse se encarnado envolto em poder, riquezas e glória, talvez o homem tivesse se rendido mais facilmente. Mas Deus “não quer a nossa rendição”. Pelo contrário, “faz apelo ao nosso coração e à nossa livre decisão de aceitar o seu amor”.

“Fez-se pequeno para nos libertar daquela humana pretensão de grandeza, que brota da soberba; encarnou-se livremente para nos tornar deveras livres, livres para o amar”, afirma o Papa.

No Menino recém-nascido, cujo rosto os cristãos contemplam no Natal, manifesta-se Deus-Amor: “Ele pede o nosso amor: por isto faz-se menino”. “Deus fez-se pequeno a fim de que nós pudéssemos compreendê-Lo, acolhê-Lo, amá-Lo” (homilia de 24 de dezembro de 2006).

Segundo o Papa, o fato de Deus assumir a condição de Menino indica o modo como os cristãos podem encontrar o próprio Deus. “Quem não compreendeu o mistério do Natal, não entendeu o elemento decisivo da existência cristã. Quem não acolhe Jesus com coração de criança, não pode entrar no reino dos céus” (audiência geral de 23 de dezembro de 2009).


Primeiro Presépio vivo

A atmosfera espiritual particular do Natal se deve a São Francisco de Assis. Na famosa celebração do Natal em Greccio (comuna italiana da região do Lácio), em 1223, São Francisco fez a representação de um presépio ao vivo. Assim “ofereceu uma contribuição decisiva para a difusão da tradição natalícia mais bonita, a do presépio” (Bento XVI, audiência geral, 23 de dezembro de 2009).

A noite de Greccio, com a representação ao vivo do presépio, “voltou a dar à cristandade a intensidade e a beleza da festa do Natal, e educou o Povo de Deus para compreender a sua mensagem mais autêntica, o calor particular, e a amar e adorar a humanidade de Cristo”.

“Com São Francisco e com o seu presépio eram postos em evidência o amor inerme de Deus, a sua humildade e a sua benignidade, que na Encarnação do Verbo se manifesta aos homens para ensinar um novo modo de viver e de amar”, afirma Bento XVI.

Graças a São Francisco, o povo cristão “pôde compreender que no Natal Deus se tornou deveras o ‘Emanuel’, o Deus-conosco, do qual não nos separa barreira nem distância alguma. Naquele Menino, Deus tornou-se tão próximo de cada um de nós, tão próximo, que podemos chamá-lo por tu e manter com ele uma relação confidencial de afeto profundo, assim como fazemos com um recém-nascido.”


O Natal é a antecipação do mistério pascal.

O Natal está presente na Igreja sempre envolto na luz e na realidade do mistério da Páscoa. Assim como a pregação evangélica vai remontar até a infância a partir da Ressurreição, e João vai projetar sobre o Verbo Encarnado a glória do Ressuscitado, assim também a Igreja vai contemplar o Natal à luz da Ressurreição (Castellano, 1989).

Na Igreja Oriental, o Natal já significa o princípio da Redenção. Na Igreja de Roma, de forma especial a partir do Papa Leão Magno (século V), o Natal é parte integrante do sacramento pascal.

“A festa de hoje renova para nós os primeiros instantes da vida sagrada de Jesus, nascido da Virgem Maria. E enquanto adoramos o nascimento do nosso Salvador, celebramos também o nosso nascimento. Efetivamente, a geração de Cristo é a origem do povo cristão. O natal da cabeça é também o natal do corpo” (São Leão Magno, LH, dia 31 de dezembro).

Portanto, em sua perspectiva teológica, o Natal é início do sacramento pascal, que compreende nas confissões de Fé a Encarnação do Filho de Deus. O Natal é também o início da Redenção, pois nele o Deus assume a natureza humana. Uma outra característica é que no Cristo da glória também está presente o mistério salvífico de seu Nascimento. E o “hoje” do nascimento de Cristo converte-se em presença eterna do Verbo/Palavra de Deus (Castellano, 1989).


A respeito da espiritualidade do Natal, podem-se destacar três características: é um mistério de luz – vitória sobre as trevas –; é restauração cósmica – início da normalização da comunhão com Deus, que fora perturbada pelo pecado; é intercâmbio da Redenção – “ao se tornar Ele um de nós, nós nos tornamos eternos (Prefácio III).

O Natal é ainda anúncio de paz, com a manifestação do “Príncipe da Paz” (segundo o profeta Isaías). O Nascimento do Senhor constitui também o jubiloso anúncio de uma grande alegria e a festa da glória de Deus.

Aos homens de hoje, o Natal continua se apresentando como uma festa universal. “De fato, mesmo quem não se professa crente, pode sentir nesta celebração cristã anual algo de extraordinário e de transcendente, algo de íntimo que fala ao coração”, afirma Bento XVI (audiência geral, 17 de dezembro de 2008).


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Virgem de Guadalupe, Padroeira das Américas


Padroeira de toda a América, Nossa Senhora de Guadalupe tem sua festa litúrgica celebrada pela Igreja Católica nesta quarta-feira,12 de dezembro. É uma data especial para todo o povo das Américas, e especialmente para o povo mexicano, que celebra a festa de sua padroeira.

O Papa João Paulo II, durante viagem ao México em 1979, consagrou a América Latina a Nossa Senhora de Guadalupe; por isso, ela também é considerada a ‘Padroeira da América Latina’.

A aparição que aconteceu em 1531, a um indígena, é fortemente vivenciada pelos devotos, que depositam na Mãe, mestiça e de rosto moreno, a sua esperança e fé.

A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe estampada no manto do índio que foi canonizado santo, São Juan Diego, é um desafio para a ciência, porque não apresenta sinais de deteriorização mesmo depois de 481 anos.

Aparição de Maria a São Juan Diego, na colina de Tepeyac (México, 1531)

Em 9 de dezembro de 1531, uma menina mestiça jovem com roupas tão brilhantes como o sol apareceu na colina de Tepeyac para o recém-batizado Juan Diego. Revelando-se como a Virgem Maria, ela pediu-lhe para pedir ao bispo para construir uma igreja naquele local. Ao ouvir o pedido de Juan Diego, Bispo Zumárraga tornou-se cético e pediu-lhe um sinal.

Em 12 de dezembro, mostrando-se a Juan Diego para a última hora, Maria enviou para colher flores no cume rochoso de Tepeyac - um feito que é notável devido tanto a altitude do lugar, bem como a época do ano. Juan Diego encheu a suatilma (um manto tecido de fibras de cacto) com as rosas mais bonitas que ele já viu, e seguiu para a residência do Bispo. Quando ele veio antes do Bispo, Juan Diego desfraldou sua tilma, revelando uma imagem extraordinária de Nossa Senhora impressa no tecido.

Em 26 de dezembro houve outro fenômeno milagroso: durante a procissão que levou a imagem para a nova capela de Tepeyac, uma dançarina indígena que tinha sido acidentalmente morta por uma flecha foi colocada no pé da tilma, e ela voltou à vida .

A simbologia presente no milagroso manto de Nossa Senhora de Guadalupe

Muitos especialistas concordam em afirmar que Nossa Senhora de Guadalupe, imagem no manto de Juan Diego, era um código perfeitamente inteligível na cosmovisão indígena.

Entre os símbolos se destacam:

O rosto jovem, moreno e mestiço e em atitude de profunda oração;

Os cabelos soltos, que para os astecas simboliza a pureza virginal. As mãos recolhidas em oração;

Uma mão mais branca do que a outra, que pode significar a união das raças;

Um pequeno broche, no pescoço, como é tradicional nas estátuas dos deuses, símbolo de beleza e riqueza para os índios;

Localizado acima do ventre, um cinto negro, símbolo asteca de maternidade, apresenta Nossa Senhora, grávida de Jesus;

Sua túnica de cor avermelhada, identifica-se com o entardecer, que é a cor de ‘Tonatiuh’ e ‘Yestlaquenqui’, nomes do deus sol. Nele há uma pequena flor de quatro pétalas e outro botão semi-aberto, que lembra o monte Tepeyac, onde era comum o florescimento de flores silvestres;

A flor de quatro pétalas, chamada ‘Nahui Ollin’, na antiga cultura asteca, representa a presença de Deus, centro do espaço e do tempo. Sua posição sobre o ventre é o principal símbolo da imagem e confirma ao povo indígena que Ela é a Mãe de Deus;

A imagem da Virgem pisando sobre a lua crescente, simboliza que Maria está esmagando um deus não verdadeiro. Seus pés, colocados no centro da Lua (etimologicamente, "México" significa o "umbigo da lua"), indica onde o Deus Supremo que ela carrega quer residir;

A cor azul turquesa do manto é uma cor sagrada para os ‘nahua’, uma cor utilizada pelos nobres e príncipes, um sinal da realeza;

Sobre o manto, aparecem estrelas brilhantes das principais constelações. O que se vê sobre o manto da Virgem é a reprodução do céu do dia 12 de dezembro, solstício do inverno de 1531. Para os índios, o solstício de inverno era considerado o dia mais importante do calendário religioso;

Raios dourados rodeiam a imagem, que significam que Maria está vestida de sol, grávida da Luz do mundo e do Sol da justiça.

Em todo o manto há a refração da luz nas cores e a luminosidade do rosto, das mãos, da túnica e do manto todo se modificam. O que pode ser percebido nas penas de pássaros e borboletas. Esse efeito não é um efeito que possa ser feito por técnicas humanas. A descoloração que ocorreria normalmente em um tecido de fibra vegetal e frágil, como é o do manto, continua sendo um desafio para cientistas e estudiosos — o que comprova que a pintura é um milagre que só pode ser compreendido pela ótica divina.

Graças à imagem que deixou no manto de Juan Diego, Nossa Senhora de Guadalupe deu origem a uma conversão em massa dos índios. Sua basílica é, atualmente, o santuário mais visitado católico do mundo, depois da Basílica de São Pedro, em Roma.

sábado, 8 de dezembro de 2012

O que é a Imaculada Conceição?

Fonte:  www.aleteia.org

A Imaculada Conceição de Maria constitui, para os cristãos, uma boa notícia de esperança na libertação do pecado, trazida pela redenção de Cristo na cruz. Ao longo dos séculos, apesar das dificuldades na definição do dogma, o povo cristão acreditou e defendeu intensamente esta verdade.

Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX (Giovanni Maria Mastai Ferretti, 1792-1878) proclamou, com a bula “Ineffabilis Deus”, o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, isto é, que Nossa Senhora foi preservada por Deus, desde o instante da sua concepção, pelos méritos da redenção de Cristo, do pecado original que todos os homens têm pela transgressão de Adão, para preparar a mais perfeita Mãe para o seu Filho.

“O mistério da Imaculada Conceição é fonte de luz interior, de esperança e de consolo”, afirmou Bento XVI durante a oração do Ângelus no dia da Imaculada, em 2010.

Sobre a pureza de Maria, Bento XVI disse, em 8 de dezembro de 2009, que “Maria Imaculada ajuda-nos a redescobrir e defender a profundidade das pessoas, porque nela existe a transparência perfeita da alma no corpo. É a pureza em pessoa, no sentido que, nela, espírito, alma e corpo são plenamente coerentes entre si e com a vontade de Deus”.

O Papa incentiva a se dirigir à Imaculada com a alegria de ser seus filhos: “Cada vez que experimentamos a nossa fragilidade e a sugestão do mal, podemos dirigir-nos a Ela, e o nosso coração recebe luz e conforto”.

O dogma da Imaculada, definido em 1854, foi recebido com grandes festejos e, poucas décadas depois, adquiriu o caráter de solenidade com vigília, como as grandes festas do calendário cristão. A Imaculada foi declarada padroeira dos Estados Unidos em 1847, pelo episcopado católico desse país. Celebra-se também, com grande solenidade e devoção, com grandes festas e procissões, na Argentina, Panamá, Colômbia, Peru, Equador, Chile, Guatemala, México, Nicarágua e Brasil.

Com a definição papal do dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, culminou um longo caminho de discernimento teológico e doutrinal da Igreja, que durou vários séculos.

A decisão de Pio IX foi o cume de uma longa tradição de devoção por Maria Imaculada. Desde os primeiros séculos do cristianismo, sobretudo no Oriente, a Igreja celebrou a pureza de Maria. Os Padres da Igreja a definiam como a “Panaghia”, isto é, a toda santa, santificada pelo Espírito Santo, “lírio puríssimo”, “imaculada”.

No Ocidente, a tradição eclesial manteve sempre a doutrina da Imaculada Conceição, mas a evolução do dogma se vinculou ao discernimento teológico sobre a questão do pecado original. As dificuldades se apresentavam em dois sentidos: em primeiro lugar, se Maria era uma exceção, não teria precisado ser redimida, e com isso a Redenção não poderia ser considerada universal, contradizendo São Paulo. O segundo problema se dava pelo momento em que Maria havia ficado isenta do pecado, se antes ou imediatamente depois da sua concepção, pois não existia consenso sobre a maneira como se transmitia o pecado original.

A verdadeira controvérsia começou na Europa no século XII, com o surgimento das universidades e da escolástica. O teólogo Anselmo de Cantuária elaborou, então, o conceito da pré-redenção, sustentando que a Redenção havia sido aplicada à Maria antes do seu nascimento. O franciscano João Duns (1265-1308), chamado Scoto por ser originário da Escócia, foi o autor da máxima “Potuit, decuit, fecit” (Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, portanto o fez): portanto, a Imaculada Conceição não era uma exceção à Redenção de Cristo, e sim sua mais perfeita e eficaz ação salvífica.

A controvérsia, contudo, prosseguiu e, em 1439, a disputa foi levada ao Concílio de Basileia. Após dois anos de discussões, os bispos declararam a Imaculada Conceição como uma doutrina piedosa, em conformidade com o culto católico, a fé católica, o direito racional e a Sagrada Escritura, estabelecendo que, a partir desse momento, não se permitiria pregar ou declarar algo oposto. No entanto, ao não se tratar de um concílio ecumênico, não se pôde pronunciar com a máxima autoridade.

Em 1476, com o Papa Sisto IV, a festa da Concepção de Maria foi introduzida no calendário romano.

Em 8 de dezembro de 1661, o Papa Alexandre VII promulgou a constituição “Sollicitudo omnium Ecclesiarum”, declarando que a imunidade de Maria com relação ao pecado original desde o primeiro momento da criação da sua alma e da sua infusão no corpo eram objeto de fé. Isso também foi recolhido nos catecismos de Pedro Canísio (século XVI), Roberto Belarmino (século XVII) e Jacques-Bénigne Bossuet (século XVIII).

Em 1830, Catarina Labouré (1806-1876) recebeu uma aparição de Nossa Senhora, quem lhe confiou a tarefa de difundir no mundo inteiro a “medalha milagrosa”, com a imagem de Maria e com a inspiração “Concebida sem pecado”. A devoção que suscitou foi tão grande entre os fiéis, que muitos bispos pediram ao Papa Gregório XVI a definição do dogma da Imaculada Conceição.

As petições continuaram com seu sucessor, Pio IX, que instituiu uma congregação especial de cardeais e membros do clero secular e regular para examinar cuidadosamente tudo que fosse relativo à Imaculada. O Pontífice enviou a todos os bispos católicos a encíclica “Ubi primum”, de 1849, para que comunicassem que a devoção animava seus diocesanos com relação à Imaculada Conceição de Maria, e sobretudo o que os próprios bispos opinavam a respeito disso.

Na “Ineffabilis Deus” (art. 17), Pio IX confessou o “consolo” que sentiu ao receber as respostas dos bispos, as quais, “com uma incrível complacência, alegria e fervor, (…) não somente reafirmaram a piedade” com relação à Imaculada Conceição, mas “também todos a uma só voz” (546 dos 603 bispos que haviam respondido) “ardentemente” pediram a definição do dogma com uma “suprema e autoritativa sentença”. Ao mesmo tempo, também os membros da congregação especial haviam “pedido com insistência” tal definição ao Papa, assim como um consistório.

Por isso, afirmou e definiu “que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda mancha da culpa original no primeiro instante da sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do gênero humano, está revelada por Deus e deve ser, portanto, firme e constantemente acreditada por todos os fiéis” (art. 18).

Quatro anos depois da proclamação do dogma, em 1858, a Virgem apareceu em Lourdes (França) à jovem Bernadette Soubirous, dizendo “Eu sou a Imaculada Conceição” – significativa confirmação da proclamação de Pio IX.

O Catecismo da Igreja Católica recorda, no número 488, que “Deus enviou o seu Filho. Mas, para lhe formar um corpo, quis a livre cooperação duma criatura”; e que, para ser a Mãe do Salvador, Maria “foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão" (n. 490). “Desde o primeiro instante da sua conceição, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida” (n. 508).

Muitos santos falaram com ternura da Imaculada. Um deles foi, por exemplo, São Maximiliano Kolbe, que afirmou que “o Espírito Santo mora nela, vive nela e isso desde o primeiro instante da sua existência, sempre e para a eternidade”. É tradicional que, no dia 8 de dezembro, o papa reinante se dirija à Praça da Espanha, de Roma, para homenagear a imagem da Virgem Imaculada.

Em Maria resplandece a santidade da Igreja que Deus quer para todos os seus filhos. Nela, a Igreja já chegou à perfeição e, por isso, recorre a Ela como “modelo perene” (em palavras da carta encíclica “Redemptoris Mater”), em quem já se realiza a esperança escatológica da vida futura.

domingo, 25 de novembro de 2012

Leigos: anúncio do Evangelho na sociedade

Comemorado desde a década de 90 junto à Solenidade de Cristo Rei, o Dia Nacional do Cristão Leigo, instituído por determinação do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, é uma forma de ressaltar o leigo como um dos pilares da consolidação da Igreja.

Segundo o documento Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, “por leigos entendem-se todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja”. Ou seja, são aqueles que foram batizados mas que não receberam nenhum ministério como os bispos, padres e diáconos. Iguais em dignidade, os leigos estão, a seu modo, a serviço do povo de Deus, na Igreja e na sociedade. O Concílio Vaticano II resgatou o papel fundamental dos leigos como membros do povo de Deus e protagonistas da Evangelização e da promoção humana. Segundo a coordenadora arquidiocesana do Conselho de Entidades e Movimentos Arquidiocesanos de Leigos do Rio de Janeiro , Ana de Sá, cabe aos leigos assumir o batismo e ir ao mundo anunciar a Palavra de Deus. 

— Devemos assumir nosso batismo. Nós, do CEMAL, buscamos articular os movimentos, pastorais e entidades para mostrar a nossa identidade no mundo porque, na verdade, o lugar do leigo não é dentro da Igreja. A gente vai à Igreja para receber graças, forças, para depois irmos para o mundo. É no mundo, na sociedade, que devemos buscar a nossa cara. Mas é difícil, afirmou.

A data relembra ainda a condição incorporada a Cristo pelo Batismo, pelo qual os cristãos fazem parte do mistério de amor que é a relação de Deus com sua Igreja. Celebrar o Dia do Leigo é também uma forma de orar pela vocação laical, muitas vezes esquecida, fortalecer a fé individual de cada um e estimular o compromisso dos leigos no serviço a Deus.

O próprio Papa Bento XVI, por ocasião da 6ª Assembleia Ordinária do Fórum Internacional da Ação Católica, que aconteceu em agosto desse ano, fez uma reflexão sobre o papel dos leigos na Igreja e afirmou que “a corresponsabilidade exige uma mudança de mentalidade no que diz respeito, especialmente, ao papel dos leigos na Igreja, que não devem ser considerados apenas “colaboradores”, mas corresponsáveis do ser e do agir da Igreja”. Nesse sentido, o Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e animador do CEMAL, Dom Roque Costa Souza, afirmou que o leigo é capaz de levar a Palavra de Deus ao mundo e assim contagiar as pessoas em diversos lugares:

— Buscamos a formação, o entender do mundo de hoje e percebermos que estamos inseridos numa realidade e que devemos levar a cultura do Evangelho a todos os ambientes. O leigo não deve ficar apenas sentado nos bancos da Igreja, mas deve se organizar em pastorais, procurando desenvolver um trabalho, um serviço da Igreja, não só no campo social, mas atingindo outros que estão em tantos lugares, que precisam também ser “cutucados”. Ser leigo não é só receber os sacramentos, mas viver os sacramentos no mundo. É trazer essa experiência de viver em comunidade procurando o próprio desenvolvimento da espiritualidade e não ficando apenas para si, mas indo a todos os ambientes. Dessa forma, é possível levar a Palavra, contagiar as pessoas, em tantos lugares, que precisam ver a luz. E essa luz do Evangelho é a luz que nós levamos, concluiu.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Como é doce ao paladar vossa palavra, ò Senhor!

Diz o Salmo 119,105: "Tua palavra é luz para o meu caminho; lâmpada para meus pés!"

A palavra de Deus iliumina todos os instantes de nossa vida. Todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Por isso, Jesus retirava-se para orar em silêncio. Precisava estar sozinho com Deus. Ouvir o que o Pai tinha a lhe dizer. Jesus não multiplicava palavras. Simplesmente, ouvia.
O silêncio nos ajuda a fazer a vontade de Deus. Na meditação diária de sua palavra. Aprendamos a ouvir a palavra de Deus mais do que falarmos.

E continiua, o  mesmo salmo, dizendo: "Seguindo a vossa lei, me rejubilo, muito mais do que em todas as riquezas". E nos mostra o caminho da felicidade e da alegria: "Minha alegria é a vossa aliança,/ meus conselheiros são os vossos mandamentos".
E quando nos deparamos diante das riquezas? Nos lembra o Salmo 119: "A lei da vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata". Ao ouvir estas palavras, remeto-me ao evangelho de Mateus, quando Jesus fora tentado pelo diabo, ele ouviu: "Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e suas riquezas. E lhe disse: Eu te darei tudo isso, se te ajoalhares diante de mim, para me adorar". Conhecemos a resposta de Jesus. Mas de onde tirou a inspiração para responder? Claro que daquilo que ele conhecia da Palavra, pois desde a juventude frequentava a sinagoga (Igreja) e se dispunha a ouvir a Palavra de Deus. E em outra passagem lemos: "onde está o seu tesouro, aí estará o seu coração (Mt 6,21). Colocamos nossas forças em riqueza para onde apontamos o nosso coração. É óbivo que se colocamos nosso coração nas coisas de Deus, é para Deus que vamos agir. Se colocamos nosso coração nas coisas do mundo, é para as coisas do mundo que vamos viver. Não podemos ter um coração dividido. Jesus mesmo nos diz: "Vocês não podem servir a Deus e às riquezas". E o que vemos hoje são tantos corações divididos. Dando para Deus apenas o tempo que lhes sobra. Ou simplesmente cumprindo preceitos.

Buscamos a felicidade. Todos queremos ser felizes. Mas onde está a felicidade? Afirma o salmo: "Vossa palavra é minha herança para sempre, porque ela é que me alegra o coração!" Queres ser feliz? Alimente-se e viva da Palavra de Deus. Deixa ela transformar sua sua vida. Disse Jesus no evangelho de João 4,34: "O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar as suas obras".

Queridas rimãs e irmãos, leiamos o salmo 119 (ou 118) sobre os efeitos da palavra de Deus em nossas vidas. Deixa-se modificar por esta palavra.
Deus vos abençoe.

domingo, 11 de novembro de 2012

"O Senhor é fiel para sempre"!


Por: Diácono Gayoso

Prezadas amigas e amigos,

"O Senhor é fiel para sempre"! A palavra fiel indica fidelidade. Manter a palavra, custe o que custar. A fidelidade é a garantia de que não se rompe a aliança feita. "O Senhor é fiel" porque mesmo diante do nosso pecado, ele mantem sua aliança de misericórdia. Mesmo quando viramos para ele as costas, ele está disposto a nos receber com braços abertos e coração em festa. A fidelidade do Senhor é a nossa garantia de salvação. A fidelidade do Senhor é a nossa garantia de perdão. Nós, muitas vezes somos infiéis ao amor que Deus tem para conosco. Mas ele é "fiel para sempre"! Nada pode abalar a fidelidade de nosso Deus para conosco. A cruz é a representação máxima desta fidelidade amorosa. Deus, o Senhor, é tão fiel, que foi capaz de se fazer vítima no altar da cruz por amor a cada um de nós.

Irmãs e irmãos, lembremos de que Deus sempre é fiel. E que ele nos deu o exemplo de amor fiel para que fossemos também fieis uns para com os outros.

A fidelidade de Deus está na moeda e na ovelha encontrada. A fidelidade de Deus é a alegria do reencontro. A fidelidade de Deus está em manter a palavra para a Mulher de Sarepta que, servindo o profeta, não lhe faltou o alimento para a vida.

Deus é fiel. Aprendamos a ser fieis, pois somos seus filhos e devemos ser como o pai.
Amém.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Finados: celebração da esperança de vida em Cristo


Neste dia 2 de novembro celebra-se o Dia de Finados, momento de fazer memória aos parentes e amigos já falecidos, em uma manifestação pública de afeto. Para os cristãos, este é também o momento de olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o destino está em Deus e que a morte nada mais é do que o nascimento para a vida eterna.

O Salvador ilumina o mistério da dor, quer pessoal, quer social. Cristo ensina a olhar a morte além da angústia e do medo. Ele venceu o lado angustiante da morte, através da sua Ressurreição. E, através da Ressurreição, foi possível abrir a porta da esperança para a eternidade. Cristo transformou a morte, que anteriormente era vista como um túnel escuro e sem saída, em uma passagem luminosa, um caminho para a Páscoa de cada um.

Na Epístola aos Tessalonicenses, São Paulo afirma: “Não queremos, irmãos, que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim precisamos crer também que Deus levará, por Jesus e com Jesus, os que morreram.” “Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras” (cf. I Tessalonicenses, 4,13 a 15 e 18).

Desta forma, é necessário perceber que, em Cristo, a morte pode ser enfrentada e vencida. Segundo o Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro Dom Nelson Francelino, em artigo publicado em ocasião do dia de finados de 2011, apesar de ser uma experiência dolorosa, viver em comunhão com o Senhor permite que a morte final transforme-se em um “adormecer em Cristo”:

— Certamente a morte continua dolorosa, ela nos desrespeita; mas, se no dia a dia aprendermos a viver unidos a Cristo e a vivenciar as pequenas mortes de cada momento em comunhão com Senhor que venceu a morte, a morte final será um ‘adormecer em Cristo’, afirmou. 

Por isso, mais que uma ocasião para lembrar-se dos irmãos falecidos, o dia de Finados é sempre uma oportunidade para alargar o conceito de vida, reforçando a esperança de um dia estar diante do Pai. Em seu artigo intitulado “Comunhão dos Santos” – publicado no Portal da Arquidiocese em 2010 –, o Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, lembrou que no dia de Finados a Igreja quer celebrar a vida.

“Em toda a liturgia do Dia de Finados, a Igreja quer, portanto, celebrar a vida. Lembramos a derrota do último inimigo (1Cor 15, 26). Viveremos no amor incomparável, no amor sem egoísmo, onde acontecerá a verdadeira partilha numa comunidade sem fronteiras e barreiras humanas, que tanto insistimos em levantar nesse nosso mundo. Nossa oração deve ser, sim, de agradecimento pela vida que nossos irmãos e irmãs têm agora em abundância.”

A Igreja Católica também se faz presente nos cemitérios através de seus presbíteros, diáconos permanentes, agentes da Pastoral das Exéquias e leigos consagrados, celebrando missas, realizando ações pastorais e oferecendo assistência às famílias de pessoas falecidas. Hoje existem mais de mil Ministros da Consolação e Esperança que trabalham nos 19 cemitérios da cidade levando esperança e consolação àqueles que perderam seus entes queridos.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

22 de outubro: Memória Litúrgica de João Paulo II

"A vocação do cristão é a santidade, em todo momento da vida. Na primavera da juventude, na plenitude do verão da idade madura, e depois também no outono e no inverno da velhice, e por último, na hora da morte." Beato João Paulo II

Karol Jozef Wojtyla, cuja memória litúrgica é celebrada nesta segunda-feira, 22 de outubro, foi eleito Papa em 16 de outubro de 1978, nasceu em Wadowice (Polônia), em 18 de maio de 1920, e morreu no Vaticano, em 2005.

João Paulo II foi proclamado beato em 1º de maio do ano passado, na Praça São Pedro, no Vaticano, em uma cerimônia que contou com a participação de cerca de um milhão de pessoas, encerrando a penúltima etapa para a declaração da santidade. Na ocasião, o Papa Bento XVI  afirmou que João Paulo II “abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e econômicos, invertendo com a força de um gigante, força que vinha de Deus, uma tendência que podia parecer irreversível”.

Qualquer homenagem à João Paulo II são minimas para tamanha santidade que ele representou em vida. O Beato que teve o maior pontificado da história; que ficou conhecido como missionário graças às suas visitas à diversos países; é também um extremo exemplo de força, de fé e de misericórdia. Entre os inúmeros feitos de João Paulo II estão a motivação do diálogo inter-religioso, o ecumenismo e a cultura da paz, além da criação da Jornada Mundial da Juventude. Apesar de polonês por nascença, este beato era, acima de tudo,  carioca, como afirmou em uma de suas visitas ao Rio de Janeiro. 

Que João Paulo II interceda por todos nós! Que nossas portas estejam cada vez mais abertas para Cristo! "Deixem que sua fé brilhe no mundo, que suas ações mostrem seu compromisso com a mensagem salvadora do Evangelho!"