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domingo, 23 de junho de 2013

Discurso do Papa à Associação dos Santos Pedro e Paulo – 23/06/2013

DISCURSO NA INTEGRA
Audiência com os membros da Associação dos Santos Pedro e Paulo
Sala das Bençãos do Palácio Apostólico
Domingo, 23 de junho de 2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Bom dia!

Gostaria de dizer-vos obrigado, muito obrigado! Desde o início vocês me acompanharam com a vossa oração, com o vosso afeto e com os vossos preciosos serviços nas várias celebrações. Por isto agradeço-vos de coração.

Sei que “nos bastidores” há muito trabalho de organização. E depois sei que, além do vosso serviço de acolhida na Basílica de São Pedro, para as celebrações litúrgicas, o vosso apostolado se estende às atividades culturais e caritativas. Sobretudo a caridade, a atenção concreta para com os outros, para com os pobres, frágeis e necessitados é um sinal distintivo do cristão. Vocês têm também um intenso programa de formação dos aspirantes e dos jovens estudantes que querem participar da vida da Associação. Crescer na consciência e no amor de Deus é essencial para levar e para viver a sua misericórdia a todos, vendo no rosto de quem encontramos a sua Face. Por tudo isto, desejo exprimir-vos o meu apreço e a minha gratidão. Felicito também os vinte e dois novos sócios que fizeram a sua promessa nesta manhã: o amor de Cristo seja sempre a vossa certeza, para serem suas testemunhas generosas e convictas!

É belo fazer parte de uma associação como a vossa, composta por homens de diversas idades, unidos no comum desejo de dar um particular testemunho de vida cristã, servindo à Igreja e aos irmãos sem pedir nada em troca. Isto é belo: servir sem pedir nada em troca, como fez Jesus. Jesus serviu a todos nós e não pediu nada em troca! Jesus fez as coisas com gratuidade e vocês fazem as coisas com gratuidade. A vossa recompensa é propriamente esta: a alegria de servir ao Senhor e de fazê-lo juntos! Conheçam-No sempre mais, com a oração, com os dias de retiro, com a meditação sobre a Palavra, com o estudo do Catecismo, para amá-Lo sempre mais e servi-Lo com coração generoso e grande, com magnanimidade. Esta bela virtude cristã: a magnanimidade, ter um coração grande, alargar o coração sempre, com paciência, amar todos; e não aquela pequenez que nos faz tanto mal, mas a magnanimidade. O vosso testemunho será mais convincente e eficaz e também o vosso serviço será melhor e mais alegre.

Confio-vos todos à materna proteção de Maria e à intercessão dos Santos Pedro e Paulo. Rezo também pelos vossos familiares, especialmente os doentes, e pelos vossos filhos que estão crescendo. Vi tantas crianças aqui: é belíssimo, é belíssimo! Continuem a rezar por mim. A todos com afeto a minha Benção. Obrigado!

Agora vos darei a Benção. Pensem em todos aqueles aos quais querem tanto bem: na família, nos amigos, a fim de que a Benção se estenda sobre eles. Mas pensem também em alguns a quem não querem tanto bem, alguns que fizeram mal a vocês, alguns com os quais vocês estão um pouco irritados. Pensem também nestes e que a Benção seja também para eles.

Angelus com Papa Francisco – 23/06/2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo ressoa uma das palavras mais incisivas de Jesus: “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salva-la-á” (Lc 9, 24).

Aqui há uma síntese da mensagem de Cristo, e é expressa com um paradoxo muito eficaz, que nos faz conhecer o seu modo de falar, quase nos faz ouvir a sua voz…

Mas o que significa “perder a vida por causa de Jesus”? Isso pode acontecer de dois modos: explicitamente confessando a fé ou implicitamente defendendo a verdade. Os mártires são exemplos máximos do perder a vida por Cristo. Em dois mil anos há uma série imensa de homens e mulheres que sacrificaram a vida para permanecerem fiéis a Jesus Cristo e ao seu Evangelho. E hoje, em tantas partes do mundo, há tantos, tantos, – mais que nos primeiros séculos – tantos mártires que dão a própria vida por Cristo, que são levados à morte para não renegar Jesus Cristo. Esta é a nossa Igreja. Hoje temos mais mártires que nos primeiros séculos! Mas há também o martírio cotidiano, que não comporta a morte, mas também esse é um “perder a vida” por Cristo, cumprindo o próprio dever com amor, segundo a lógica de Jesus, a lógica da doação, do sacrifício. Pensemos: quantos pais e mães todos os dias colocam em prática a sua fé oferecendo concretamente a própria vida pelo bem da família! Pensemos nisto! Quantos sacerdotes, frades, irmãs desenvolvem com generosidade o seu serviço pelo reino de Deus! Quantos jovens renunciam aos próprios interesses para dedicar-se às crianças, aos deficientes, aos idosos… Também esses são mártires! Mártires cotidianos, mártires do dia-a-dia!

E depois há tantas pessoas, cristãos e não cristãos, que “perdem a própria vida” pela verdade. E Cristo disse “eu sou a verdade”, então quem serve à verdade serve a Jesus.

Uma dessas pessoas, que deu a vida pela verdade, é João Batista: propriamente amanhã, 24 de junho, é a sua grande festa, a solenidade do seu nascimento. João foi escolhido por Deus para preparar o caminho diante de Jesus, e o indicou ao povo de Israel como o Messias, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cfr Jo 1, 29). João consagrou-se todo a Deus e ao seu enviado, Jesus. Mas, no final, o que aconteceu? Foi morto por causa da verdade, quando denunciou o adultério do rei Herodes e de Herodíades. Quantas pessoas pagam por preço caro o compromisso pela verdade! Quantos homens justos preferem ir contracorrente, de modo a não renegar a voz da consciência, a voz da verdade! Pessoas justas, que não têm medo de ir contracorrente! E nós, não devemos ter medo! Entre vocês há tantos jovens. A vocês jovens digo: não tenham medo de ir contracorrente, quando nos querem roubar a esperança, quando nos propõem estes valores que estão danificados, valores como a comida estragada e quando uma comida está estragada, nos faz mal; estes valores nos fazem mal. Devemos ir contracorrente! E vocês, jovens, sejam os primeiros: vão contracorrente e tenham este orgulho de ir contracorrente. Avante, sejam corajosos e vão contracorrente! E sejam orgulhosos de fazê-lo!

Queridos amigos, acolhamos com alegria esta palavra de Jesus. É uma regra de vida oferecida a todos. E São João Batista nos ajuda a colocá-la em prática.

Neste caminho nos precede, como sempre, a nossa Mãe, Maria Santíssima: ela perdeu a sua vida por Jesus, até a Cruz, e a recebeu em plenitude, com toda a luz e a beleza da Ressurreição. Maria nos ajude a fazer sempre mais nossa a lógica do Evangelho.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Catequese do Papa: Igreja, Corpo de Cristo – 19/06/2013

CATEQUESE
Praça São Pedro
Quarta-feira, 19 de junho de 2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje concentro-me sobre outra expressão com a qual o Concílio Vaticano II indica a natureza da Igreja: aquela do corpo; o Concílio diz que a Igreja é o Corpo de Cristo (cfr Lumen gentium, 7).

Gostaria de partir de um texto dos Atos dos Apóstolos que conhecemos bem: a conversão de Saulo, que se chamará depois Paulo, um dos maiores evangelizadores (cfr At 9, 4-5). Saulo é um perseguidor dos cristãos, mas enquanto está percorrendo o caminho que leva à cidade de Damasco, de repente uma luz o envolve, cai no chão e ele ouve uma voz que o diz: “Saulo, por que me persegues?”. Ele pergunta: “Quem és, Senhor?”, e aquela voz responde: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (v. 3-5). Esta experiência de São Paulo nos diz quanto é profunda a união entre nós cristãos e o próprio Cristo. Quando Jesus subiu ao céu, não nos deixou órfãos, mas com o dom do Espírito Santo a união com Ele transformou-se ainda mais intensa. O Concílio Vaticano II afirma que Jesus “comunicando o seu Espírito, constitui misticamente como seu corpo os seus irmãos, chamados de todos os povos” (Const. Dogm. Lumen Gentium, 7).

A imagem do corpo ajuda-nos a entender esta profunda ligação Igreja-Cristo, que São Paulo desenvolveu de modo particular na Primeira Carta aos Coríntios (cfr cap. 12). Antes de tudo, o corpo nos chama para uma realidade viva. A Igreja não é uma associação assistencial, cultural ou política, mas é um corpo vivo, que caminha e age na história. E este corpo tem uma cabeça, que é Jesus, que o guia, nutre-o e sustenta-o. Este é um ponto que gostaria de destacar: se separa-se a cabeça do restante do corpo, toda a pessoa não pode sobreviver. Assim é na Igreja: devemos permanecer ligados de modo sempre mais intenso a Jesus. Mas não somente isso: como em um corpo é importante que passe a seiva vital para que viva, assim devemos permitir que Jesus opere em nós, que a sua Palavra nos guie, que a sua presença eucarística nos alimente, nos anime, que o seu amor dê força ao nosso amar o próximo. E isto sempre! Sempre, sempre! Queridos irmãos e irmãs, permaneçamos unidos a Cristo, confiemos Nele, orientemos a nossa vida segundo o seu Evangelho, alimentando-nos com a oração cotidiana, a escuta da Palavra de Deus, a participação nos Sacramentos.

E aqui aparece um segundo aspecto da Igreja como Corpo de Cristo. São Paulo afirma que como os membros do corpo humano, embora diferentes e numerosos, formam um só corpo, assim todos fomos batizados mediante um só Espírito em um só corpo (cfr 1 Cor 12, 12-13). Na Igreja, portanto, há uma variedade, uma diversidade de tarefas e de funções; não há a plena uniformidade, mas a riqueza dos dons que distribui o Espírito Santo. Porém, há a comunhão e a unidade: todos estão em relação uns com os outros e todos combinam para formar um único corpo vital, profundamente ligado a Cristo. Recordemos bem: ser parte da Igreja quer dizer estar unido a Cristo e receber Dele a vida divina que nos faz viver como cristãos, quer dizer permanecer unido ao Papa e aos Bispos, que são instrumentos de unidade e de comunhão, e quer dizer também aprender a superar personalismos e divisões, a compreender-se mais, a harmonizar as variedades e as riquezas de cada um; em uma palavra, a querer sempre bem a Deus e às pessoas que estão ao nosso lado, na família, na paróquia, nas associações. Corpo e membros para viver devem estar unidos! A unidade é superior aos conflitos, sempre! Os conflitos se não se dissolvem bem, separam-nos entre nós, separam-nos de Deus. O conflito pode ajudar-nos a crescer, mas também pode dividir-nos. Não caminhemos na estrada das divisões, das lutas entre nós! Todos unidos, todos unidos com as nossas diferenças, mas unidos, sempre: este é o caminho de Jesus. A unidade é superior aos conflitos. A unidade é uma graça que devemos pedir ao Senhor para que nos liberte das tentações das divisões, das lutas entre nós, dos egoísmos, das fofocas. Quanto mal fazem as fofocas, quanto mal! Nunca fofocar sobre os outros, nunca! Quantos danos causam à Igreja as divisões entre os cristãos, o partidarismo, os interesses mesquinhos!

As divisões entre nós, mas também as divisões entre as comunidades: cristãos evangélicos, cristãos ortodoxos, cristãos católicos, mas por que divisão? Devemos procurar levar a unidade. Vou contar para vocês uma coisa: hoje, antes de sair de casa, estive quarenta minutos, mais ou menos, meia hora, com um Pastor evangélico e rezamos juntos, e buscamos a unidade. Mas devemos rezar entre nós católicos e também com os outros cristãos, rezar para que o Senhor nos doe a unidade, unidade entre nós. Mas como teremos a unidade entre os cristãos se não somos capazes de tê-la entre nós católicos? De tê-la na família? Quantas famílias lutam e se dividem! Busquem a unidade, a unidade que faz a Igreja. A unidade vem de Jesus Cristo. Ele nos envia o Espírito Santo para fazer a unidade.

Queridos irmãos e irmãs, peçamos a Deus: ajude-nos a sermos membros do Corpo da Igreja sempre profundamente unidos a Cristo; ajude-nos a não fazer sofrer o Corpo da Igreja com os nossos conflitos, as nossas divisões, os nossos egoísmos; ajude-nos a sermos membros vivos ligados uns aos outros por uma única força, aquela do amor, que o Espírito Santo derrama nos nossos corações (cfr. Rm 5, 5).

domingo, 16 de junho de 2013

Angelus com Papa Francisco – 16/06/2013

ANGELUS
Praça São Pedro
Domingo, 16 de junho de 2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs,

Ao término desta Eucaristia dedicada ao Evangelho da Vida, tenho o prazer de recordar que ontem, em Carpi, foi proclamado Beato Odoardo Focherrini, esposo e pai de sete filhos, jornalista. Capturado e encarcerado por causa de sua fé católica, morreu no campo de concentração de Hersbruck em 1944, aos 37 anos. Salvou muitos hebreus da perseguição nazista. Junto com a Igreja presente em Carpi, demos graças a Deus por essa testemunha do Evangelho da Vida!

Agradeço de coração a todos vocês que vieram a Roma e de tantas partes da Itália e do mundo, em particular as famílias e todos que trabalham mais diretamente pela promoção e proteção da vida.

Saúdo cordialmente os 150 membros da Associação “Grávida” – Argentina, reunidos na cidade de Pilar. Muito obrigado pelo que fazem! Coragem e sigam adiante!

Enfim, saúdo os numerosos participantes do encontro de motociclistas Harley-Davidson e o do Motoclub Polícia de Estado.

Dirijamo-nos agora à Maria, confiando cada vida humana, especialmente as mais frágeis, indefesas e ameaçadas, à sua materna proteção.

sábado, 20 de abril de 2013

Papa Francisco: Um mês de pontificado




No último sábado, 13 de abril., completou-se um mês da eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio à Cátedra de Pedro. Desde os primeiros momentos de seu Pontificado, o Papa Francisco conquistou as pessoas com sua simplicidade, ternura e espontaneidade. O ecumenismo, o compromisso com os pobres e o impulso para a nova evangelização estão entre os temas que o novo Papa colocou no centro de seu ministério neste primeiro mês de pontificado.  Que Deus o abençoe e ilumine o seu pontificado

Papa Francisco pede orações pelas vítimas de explosão no Texas


O Papa Francisco pediu orações nesta quinta-feira, 18, pelas vítimas da explosão em uma fábrica de feritilizantes no Texas, Estados Unidos.

Em sua conta em inglês no Twitter, o Papa pediu: “Por favor, juntem-se a mim em oração pelas vítimas da explosão no Texas e suas famílias.”

A explosão deixou pelo menos 5 pessoas mortas e mais de 160 feridas, na noite desta quarta-feira, 17, na pequena cidade de West.

Que a Igreja seja liberta de interpretações ideológicas, pede Papa


Fonte: Canção Nova

A Palavra de Deus deve ser acolhida com humildade, porque é palavra de amor. Em síntese, foi o que disse o Papa Francisco, nesta sexta-feira, 19, durante a homilia da Missa presidida na Capela da Casa Santa Marta. Estavam presentes alguns funcionários da Tipografia Vaticana e do L’Osservatore Romano.

Francisco se inspirou nas leituras bíblicas do dia: a vocação de Saulo e o discurso de Jesus na Sinagoga de Cafarnaum. A voz de Jesus, disse, ele “passa pela nossa mente e vai ao coração”. Já os doutores da lei respondem de outra maneira, discutindo entre si e contestando duramente as palavras de Jesus:

- Os doutores respondem somente com a cabeça. Não sabem que a Palavra de Deus fala ao coração, disse o Papa, dando o exemplo de Maria, que acolheu com humildade as palavras do Senhor.

Quem responde somente com a cabeça são os grandes ideólogos, afirmou, recordando que “a Palavra de Jesus vai ao coração, porque é a Palavra de amor, é palavra bela e traz o amor, nos faz amar”. Os ideólogos, por sua vez, cruzam a estrada do amor e da beleza e poem-se a discutir sobre como Jesus pode dar sua carne para comer.

- É tudo um problema de intelecto. E quando entra a ideologia na Igreja, quando entra a ideologia na inteligência do Evangelho, não se entende mais nada.

Para Francisco afirmou são os santos que levam avante a Igreja

- Os santos são os que levam avante a Igreja! A estrada da conversão, da humildade, do amor, do coração, da beleza… Peçamos, hoje, ao Senhor pela Igreja, que o Senhor a liberte de qualquer interpretação ideológica e abra o coração da Igreja, da nossa Mãe Igreja, ao Evangelho simples, àquele Evangelho puro que nos fala de amor, que traz o amor e é tão bonito! E que nos torna mais belos, com a beleza da santidade. Rezemos hoje pela Igreja!.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Catequese Papa Francisco Ascensão de Jesus – 17/04/2013

Veja na íntegra o discurso do Papa Francisco durante a catequese deste dia 17 de abril


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No Credo, encontramos a afirmação de que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. A vida terrena de Jesus culmina no evento da Ascensão, quando, isso é, Ele passa deste mundo ao Pai e é elevado à sua direita. Qual é o significado deste acontecimento? Quais são as consequências para a nossa vida? O que significa contemplar Jesus sentado à direita do Pai? Sobre isto, deixemo-nos guiar pelo evangelista Lucas.

Partamos do momento no qual Jesus decide embarcar em sua última peregrinação a Jerusalém. São Lucas anota: “Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém” (Lc 9, 51). Enquanto “ascende” à Cidade santa, onde se cumprirá o seu “êxodo” desta vida, Jesus vê já a meta, o Céu, mas sabe bem que o caminho que o leva de volta à glória do Pai passa pela Cruz, pela obediência ao desígnio divino de amor pela humanidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a elevação sobre a cruz significa e anuncia a elevação da ascensão ao céu” (n. 661). Também nós devemos ter claro, na nossa vida cristã, que o entrar na glória de Deus exige a fidelidade cotidiana à sua vontade, mesmo quando requer sacrifício, requer às vezes mudar os nossos programas. A Ascensão de Jesus acontece concretamente no Monte das Oliveiras, próximo ao lugar onde havia se retirado em oração antes da paixão para permanecer em profunda união com o Pai: mais uma vez vemos que a oração nos dá a graça de viver fiéis ao projeto de Deus.

Ao final do seu Evangelho, São Lucas narra o evento da Ascensão de modo muito sintético. Jesus conduz os discípulos “para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus” (24, 50-53); assim diz São Lucas. Gostaria de salientar dois elementos da história. Antes de tudo, durante a Ascensão Jesus cumpre o gesto sacerdotal da benção e seguramente os discípulos exprimem a sua fé com a prostração, ajoelham-se inclinando a cabeça. Este é um primeiro ponto importante: Jesus é o único e eterno Sacerdote que com a sua paixão atravessou a morte e o sepulcro e ressuscitou e ascendeu ao Céu; está junto de Deus Pai, onde intercede para sempre a nosso favor (cfr Eb 9,24). Como afirma São João na sua Primeira Carta, Ele é o nosso advogado: que belo ouvir isto! Quando alguém é chamado por um juiz ou pelo tribunal, a primeira coisa que faz é procurar um advogado para que o defenda. Nós temos um, que nos defende sempre, defende-nos das ciladas do diabo, defende-nos de nós mesmos, de nossos pecados! Caríssimos irmãos e irmãs, temos este advogado: não tenhamos medo de ir até Ele e pedir perdão, pedir a benção, pedir misericórdia! Ele nos perdoa sempre, é o nosso advogado: defende-nos sempre! Não se esqueçam disso! A Ascensão de Jesus ao Céu nos faz conhecer então esta realidade tão reconfortante para o nosso caminho: em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a nossa humanidade foi levada junto a Deus; Ele nos abriu a passagem; Ele é como uma corda quando se escala uma montanha, que chegou ao topo e nos atrai para si conduzindo-nos a Deus. Se confiamos a Ele a nossa vida, se nos deixamos guiar por Ele, estamos certos de estar em mãos seguras, nas mãos do nosso salvador, do nosso advogado.

Um segundo elemento: São Lucas refere que os Apóstolos, depois de terem visto Jesus subir ao céu, retornaram a Jerusalém “com grande alegria”. Isto nos parece um pouco estranho. Em geral, quando estamos separados dos nossos familiares, dos nossos amigos, para uma partida definitiva e sobretudo por causa da morte, há em nós uma tristeza natural, porque não veremos mais a face deles, não escutaremos mais a sua voz, não poderemos mais desfrutar do afeto deles, da presença deles. Em vez disso, o evangelista destaca a profunda alegria dos Apóstolos. Mas como? Propriamente porque, com o olhar da fé, esses compreendem que, embora removido de seus olhos, Jesus permanece para sempre com eles, não os abandona e, na glória do Pai, sustenta-lhes, guia-lhes e intercede por eles.

São Lucas narra o fato da Ascensão também no início dos Atos dos Apóstolos, para destacar que este acontecimento é como o anel que envolve e conecta a vida terrena de Jesus àquela da Igreja. Aqui São Lucas também menciona a nuvem que levou Jesus para fora da vista dos discípulos, os quais permanecem a contemplar o Cristo que ascende para Deus (cfr At 1,9-10). Intervêm então dois homens em vestes brancas que os convidam a não permanecer imóveis a olhar para o céu, mas a nutrir a vida deles e o testemunho deles com a certeza de que Jesus voltará do mesmo modo com o qual o viram subir ao céu (cfr At 1,10-11). É propriamente o convite para partir da contemplação do Senhorio de Cristo, para ter Dele a força de levar e testemunhar o Evangelho na vida de cada dia: contemplar e agir, reza e trabalha, ensina São Benedito, são ambos necessários na nossa vida de cristãos.

Queridos irmãos e irmãs, a Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas nos diz que Ele está vivo em meio a nós de modo novo; não está mais em um lugar preciso no mundo como o era antes da Ascensão; agora está no senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo a cada um de nós. Na nossa vida não estamos nunca sozinhos: temos este advogado que nos espera, que nos defende. Não estamos nunca sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado nos guia; conosco há tantos irmãos e irmãs que no silêncio e na ocultação, em sua vida de família e de trabalho, em seus problemas e dificuldades, em suas alegrias e esperanças, vivem cotidianamente a fé e levam, juntos a nós, ao mundo o senhorio do amor de Deus, em Cristo Jesus ressuscitado, que subiu ao Céu, advogado para nós. Obrigado

terça-feira, 16 de abril de 2013

Papa Francisco telefona a Bento XVI pelo seu aniversário


Fonte: Canção Nova

Na manhã desta terça-feira, 16 de abril o Papa Francisco telefonou para Bento XVI, por ocasião do seu aniversário de 86 anos, para felicitá-lo. O Santo Padre estendeu as saudações ao irmão do Papa emérito, monsenhor Georg Ratzinger, que está, há alguns dias, em Castelgandolfo para festejar, de maneira familiar e fraterna, a celebração do aniversário natalício de Bento XVI.

Nesta manhã, o Papa Francisco colocou o aniversário de Bento XVI como intenção da Missa celebrada na Casa Santa Marta, convidando os presentes à oração, com estas palavras: “Hoje, é o aniversário de Bento XVI. Ofereçamos a Missa por ele, para que o Senhor esteja com ele, o conforte e lhe dê muita consolação”.

Na próxima terça-feira, 23, dia de São Jorge, o irmão de Bento XVI festejará o seu onomástico, como também o Papa Francisco. Onomástico é o dia em que a Igreja celebra um santo, cujo nome coincide com seu nome de batismo.

domingo, 14 de abril de 2013

Homilia do Papa – O que significa adorar a Deus? 14/04/13


É para mim uma alegria celebrar a Eucaristia com vocês na Basílica. Saúdo o Arcipreste, o Cardeal James Harvey, e o agradeço pelas palavras que disse a meu respeito; com ele saúdo e agradeço as várias instituições que fazem parte desta Basílica, e todos vocês. Estamos sobre o túmulo de São Paulo, um humilde e grande Apóstolo do Senhor, que o anunciou com a palavra, o testemunhou com o martírio e o adorou com todo o coração. São estes os três verbos sobre os quais eu gostaria de refletir à luz da Palavra de Deus que escutamos: anunciar, testemunhar, adorar.

1. Na Primeira Leitura chama a atenção a força de Pedro e dos outros Apóstolos. Com a ordem de calar, de não ensinar mais no nome de Jesus, de não anunciar mais a sua Mensagem, eles respondem com clareza: “é preciso obedecer a Deus antes que aos homens”. E não os para nem mesmo o serem flagelados, o receberem ultrajes, o serem colocados na prisão. Pedro e os Apóstolos anunciam com coragem, com parresia, aquilo que receberam, o Evangelho de Jesus. E nós? Somos capazes de levar a Palavra de Deus nos nossos ambientes de vida? Sabemos falar de Cristo, do que representa para nós, em família, com as pessoas que fazem parte da nossa vida cotidiana? A fé nasce da escuta, e se reforça no anúncio.

:: FOTOS da celebração

2. Mas façamos um passo adiante: o anúncio de Pedro e dos Apostolos não foi feito somente de palavras, mas a fidelidade a Cristo toca a vida deles, que muda, recebe uma direção nova, e é com a própria vida que eles rendem testemunho à fé e ao anúncio de Cristo. No Evangelho, Jesus pede a Pedro por três vezes de pastorear o seu rebanho e de pastorear com o seu amor, e profetiza: “quando fores velho, estenderás as mãos, e outro vai te amarrar e te levará para onde não queres ir.” (Jo 21,18) É uma palavra direcionada antes de tudo a nós Pastores: não se pode pastorear  o rebanho de Deus se não se aceita ser levado pela vontade de Deus também onde não queremos, se não existe a disponibilidade de testemunhar Cristo com o dom de nós mesmos, sem reservas, sem cálculos, as vezes também  com o preço da nossa vida. Mas isto vale para todos: o Evangelho deve ser anunciado e testemunhado. Cada um deveria se questionar: Como eu testemunho Cristo coma minha fé? Tenho a coragem de Pedro e dos outros Apóstolos de pensar, fazer escolhas e viver como cristão, obedecendo a Deus?

Claro que o testemunho da fé tem tantas formas, como num grande afresco existe uma variedade de cores e de sombras; todas porém são importantes, também aquelas que não se destacam. No grande desígnio de Deus cada detalhe é importante, também o teu, o meu pequeno e humilde testemunho, também no cotidiano dos relacionamentos de família, de trabalho, de amizade. Temos santos para todos os dias, os santos “escondidos”, uma espécie de “classe média da santidade”, como dizia um escritor francês, aquela “classe média da santidade” da qual todos podemos participar. Mas em várias partes do mundo existem aqueles que sofrem, como Pedro e os Apóstolos, por causa do Evangelho; tem quem doa a sua vida para permanecer fiel a Cristo com um testemunho Marcado pelo preço do sangue. Recordemos bem: não se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o testemunho concreto de vida.

Quem nos escuta e nos vê deve poder ler nas nossas ações aquilo que escuta da nossa boca e render glória a Deus! Recordo-me agora o conselho que São Francisco de Assis dava aos seus irmãos: preguem o Evangelho e, se for necessário, também com palavras. Pregar com a vida: o testemunho. A incoerência dos fiéis e dos Pastores entre aqueles que dizem e aqueles que  fazem, entre a palavra e a maneira de viver minha credibilidade da Igreja.

3. Mas tudo isso é possível somente se reconhecemos Jesus Cristo, porque foi Ele quem nos chamou, nos convidou a percorrermos a sua estrada, nos escolheu. Anunciar e testemunhar é possível somente se estamos próximos dele, como Pedro, João e os outros discípulos na passagem do Evangelho de hoje estão em torno de Jesus Ressuscitado; existe uma proximidade cotidiana com Ele, e eles sabem bem quem é, O conhecem.

O evangelista enfatiza que “ninguém ousava perguntar-lhe: “Quem és?” porque sabiam bem que era o Senhor” (Jo 21,12). E este é um ponto importante para nós: viver um relacionamento intenso com Jesus, uma intimidade de diálogo e de vida, a ponto de reconhecê-lo como “o Senhor”. Adorá-lo! A passagem do Apocalipse que nós ouvimos nos fala da adoração: os milhares de anjos, todas as criaturas, os seres vivos, os anciãos, se prostravam em adoração diante do Trono de Deus e do Cordeiro imolado, que é Cristo, a quem pertence o louvor, a honra e a glória (cf Ap 5, 11-14). Gostaria que nos questionássemos: Você, eu, adoramos o Senhor? Nos dirigimos a Deus somente para pedir, para agradecer, ou vamos a Ele para adorá-lo?

O que quer dizer então adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, a parar para dialogar com Ele, sentindo que a sua presença é a mais verdadeira, a melhor, a mais importante de todas. Cada um de nós, na própria vida, de maneira consciente e talvez às vezes sem perceber, tem bem precisamente uma ordem das coisas consideradas mais ou menos importantes.

Adorar o Senhor quer dizer dar a Ele o lugar que deve ter; adorar o Senhor quer dizer afirmar, crer, não somente em palavras que somente Ele guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer que somos convictos diante d’Ele que somente Ele é Deus, o Deus da nossa vida, o Deus da nossa história.

Isso tem uma consequência na nossa vida: despojar-nos de tantos  pequenos ou grandes ídolos que temos e nos quais nos refugiamos, os quais procuramos e muitas vezes colocamos a nossa segurança. São ídolos que frequentemente  temos bem escondidos, podem ser a ambição, o carreirismo, o sabor sucesso, o colocar ao centro a si mesmo, a tendência a prevalecer sobre os outros, a pretensão de ser os únicos senhores da nossa vida, qualquer pecado no qual estamos ligados, e muitos outros.

Esta tarde gostaria que uma pergunta ressoasse no coração de cada um de nós e que respondêssemos com sinceridade: Qual ídolo escondido tenho em minha vida, que me impede de adorar o Senhor? Adorar é despojar-nos dos nossos ídolos também daqueles mais escondidos, e escolher o Senhor como centro, como estrada mestra da nossa vida.

Caros irmãos e irmãs, o Senhor nos chama cada dia a seguí-lo com coragem e fidelidade; nos deu um grande dom ao nos escolher como seus discípulos; nos convida a anunciá-lo com alegria como o Ressuscitado, mas nos pede para fazer isso com a palavra e com o testemunho da nossa vida, no nosso cotidiano. O Senhor é o Único, o único Deus da nossa vida e nos convida a despojar-nos de tantos ídolos e a adorar somente a Ele. Anunciar, testemunhar, adorar. A Beata Virgem Maria e o Apóstolo São Paulo nos ajudem neste caminho e intercedam por nós. Assim seja.